Caixinha de surpresas

Ao passar por aquela porta eu entendi: Aquele era meu ponto de chegada e meu ponto de partida. O que passei e deixei de passar ficariam para trás.
Tive que virar a maçaneta para compreender. Um simples movimento giratório que mudaria todo meu percurso.
Sim, eu passei pela porta… e me emocionei com o novo horizonte que vi. Era isto que eu tanto temia? Era isto que eu me negava a um dia presenciar?
Uma, duas, mil lágrimas se derramaram e limparam minha alma quando me dei por mim. Estava inteiro. Estava novinho em folha. Cada arranhão estava cicatrizado e curado.
Temos a escolha de ver o lado vazio ou o cheio do copo. Isto é uma opção de cada um. Uns verão metade vazio, outros metade cheio.
O que importa não é fazer o outro ver o lado que você quer, mas entender que isto é uma escolha fora de sua atuação.

Cruzei cada oceano de meu mundo. Fiz minhas escolhas e arquei com cada uma delas. Hoje sou apenas um reflexo do que fui. Por que dia após dia fico mais forte. Cada dia tenho mais vontade de viver.

O mundo é uma caixinha de surpresas. Mas você tem que abri-la para ver o que tem dentro. Caso contrário, fica-se só na expectatva…

O pôr que renova o dia

Foi numa tarde qualquer… O Sol se punha lento, recolorindo cada metro do céu. O amarelo ia se tornando laranja, e este roxo. Eu assistia aquela cena sem pressa. O relógio não ticava. O coração não batia.
Mil perguntas rondavam a mente. Muitas delas sem respostas. Muitas delas sem nem explicação.
Eu não buscava nada, só olhava o pôr do Sol. Elas que me procuravam. Elas que me cutucavam e invadiam meus pensamentos.
Havia uma ideia, apenas uma de tantas outras, que se empreguinou em mim até que pude entender…
O Amor tem lá suas mil faces. Reconhecer a que você sente é como achar uma agulha em um palheiro. Mas, se quiser entender mesmo, não tem erro. A coisa fica tão simples quanto achar um ponto fluorescente em um quadro fosco.
O foco aqui já não é entender. É apenas não perder experiências.

E se chegar o momento o qual as coisas deixam de fazer sentido, é por que é hora de olhar de maneira diferente.

Por que quando cada palavra dita soa vazia, vale realmente a pena permanecer?

Quando o toque já não faz falta. E quando as borboletas do estômago morrem. Acalme-se, não é tragédia.

Basta uma flor morrer, mesmo que a mais bonita do seu jardim, para que outra renasça.

O que faleceu não volta. E o que se deixou de dar jamais será dado.

Acorde pois a hora é agora. É o hoje. O amanhã que venha amanhã. E o ontem que fique guardado no coração. Por que é lá, e em nenhum outro lugar, que ele tem que ficar.

O Eu em mim

O solo estava umedecido. Por isto, refletia o céu. O horizonte deixou de existir na mescla destes dois mundos, o divino e o profano.
Não havia mais divisão, era tudo uma coisa só.
Suspirei e sentei nas próprias pernas. Eu não fazia ideia de quanto tinha caminhado até chegar naquele ponto. Em nenhum momento me questionei. Não queria saber. O importante é que estava ali.
No peito, havia um coração com muitas cicatrizes. Havia restos de sonhos, planos e pensamentos que perderam força durante a jornada que desembocou onde estava.
Tudo era parte de mim, pedaços desconexos e desencaixados. Era hora de montá-los novamente.
Dei um passo ao me levantar. Meus pés já não doíam. Metro a metro, andando sem parar. Reflexo por reflexo, me mostrando sempre um alguém distinto. Não era ninguém desconhecido. Era eu mesmo, em perspectivas diferentes.
Ali era meu ponto final e meu ponto de partida. O divisor de águas. O divisor da vida. O falecer de um. O nascer de outro.

E em cada túmulo que eu mesmo cultivei, há uma parte de mim. Lembrança do que fui e nunca mais serei.

Pense, respire fundo e siga seu coração

Por detrás das nuvens, vejo o Sol. Vejo meu sorriso.
É quando o escuro se faz claro, na transição entre a luz e a escuridão, que os maiores despertares acontecem.
Isto é vida. É cada sentido que se aguça com música, aroma e tato. É aquilo que te lembra que você não só respira, mas interage. Não só existe como faz. Ou ao menos deveria ser assim.
Quandos as respostas estiverem muito difíceis, será que não é momento de rever as perguntas? E se elas já não forem mais válidas?
O dia se torna mais leve se o encaramos desta forma. E haverá sempre mais um motivo para um pouco mais. Você quer mais de si, só ainda não descobriu isto.
Tudo o que você sempre buscou esteve debaixo de seu nariz. Na verdade, esteve dentro de você.
Cada um é seu próprio mundo, tem suas próprias diretrizes. É você quem faz a mágica. Você e mais ninguém. O segredo é saber quando fazer. Tudo tem seu tempo, nunca se esqueça disso…

Pense, respire fundo e siga seu coração. Ele tem mais a dizer do que você sequer imagina.

Desentimento que aquece

O café gelado sob a mesa. A xícara fervia. A água borbulhava. Cada gole ardia. Era ardência que não queimava. Era dor indolor.
Que cheiro era aquele que eu sentia? Que é que exalava tal fragrância? E qual era meu maior desejo naquele momento?
Fechar os olhos não bastava. A calmaria não vinha, só o tormento de imagens distorcidas.
E eu estranhava cada reação minha. Por que nada que me derrubava antes me afetava mais. E se algo tivesse morrido em mim? Que significavam estes pensamentos aqui?
Os sentimentos que já não latejavam no peito. A paixão que não desenvolvia. Era só desejo? Ou era apenas capsulamento?
A música do fone cobria todos meus movimentos. Não ouvia o mundo externo. Aquele espaço era só meu.
Ninguém entrava, só eu saia.
O mundo não parou. Não deixou de girar. Fui eu que deixei de flutuar.

Mas quando eu menos esperava, encontrei o teu olhar. O reflexo se fez e me espelhei. Já vira aqueles pares antes. Eram os meus.

Alguém me contou

O silêncio da noite me inquietava. Era tarde, passara das zero. Sentado na beira da cama, olhava manso a luz branca da lua cheia que invadia meu quarto. Luz intensa, luz inspiradora. Luz tão forte que parecia luz do dia.
E eu mantinha um sorriso no rosto. Uma alegria incomum. Não era amor, muito menos paixão. O que era eu não sabia , embora não fizesse a mínima diferença. O bom era sentir. Era interagir. Era deixar de assistir. Era ser o protagonista da minha própria historia. Era dizer adeus ao expectador em mim. E não doeu nada, não. Foi bom.

Alguém me contou, quiça meu coração, que o melhor da vida era ser. Nada além disso. É tudo o que o ser humano precisa.

Percepções

Ando por uma rua larga. Há poucas pessoas ali. O movimento é quase nulo. O ambiente está praticamente deserto.
Este era meu cenário. Esta era a minha realidade. E, para mim, a rua era estreita demais. Para mim, havia muitas pessoas ali.
Quando me dei por mim, já havia andando muitas quadras nesta errônea percepção. Perdi, sim, oportunidades, mas vivi como quis viver. Fiz o que queria fazer.
Muitas vezes nos depararemos com situações que interpretaremos como X o que é Y ou vice-versa (e estas duas letras não são aleatórias). Muitas delas podem levar a caminhos ainda mais interessantes apenas por serem vistas por outra óptica.
Pare e reflita.
Vale a pena? Ou a pergunta seria o que não vale?
Respondido, faça o que achar melhor, mas faça com paixão, com vontade.

O sonho que se vai

E pode dar na telha de um dia cair a ficha de que um sonho que muito se almejou não passa de um sonho passageiro.
Se um dia isto acontecer, não há muito o que fazer. O primeiro passo é se acalmar. Respire lento e deixe aquele agudo do peito se dissipar em você.
Com o tempo vem a conformidade. As coisas ficam mais claras na cabeça e o que incomodava tanto passa a ser apenas um desconforto. Com o ticar do relógio e o cair das folhas do calendário, este desconforto tende a ser cada vez menor.
Só não caia no erro de tentar mudar, ou de enxergar algo passageiro como duradouro. Isso aumenta os esforços, deixa as coisas mais difíceis.
Tente entender: tudo é apenas uma questão de tempo e cada um tem seu relógio. Para mim, o acalmar pode demorar meses, para alguns, dias.
E não se prenda a olhar para trás, principalmente se seus pensamentos ainda não estão seguros. Deixe para lá tudo o que parecia ser indícios de que iria dar certo. As vezes eles eram apenas visões distorcidas suas da realidade.
Tem coisa que não depende d’agente. E tem coisa que não vai mudar se o outro não fizer parte dele.
Custa entender, custa acreditar. Sonhos são sonhos, e quando se mostram improváveis (não usarei o termo impossível aqui, pois creio ser sempre uma visão pessoal, de cada um), claro que faz ferida. Claro que dói no peito.
O segredo é respeitar o que acontece e entender que o que não é para ser nunca será.

Quando uma porta se fecha, outra se abre. Muitas vezes esta abertura não será cristalina. Tem de enxergar. Tem de querer ver.

O despertar

Zonzo, desperto a cada dia com uma nova perspectiva. Cada página virada trás não só linhas escritas, lidas e processadas, mas experiências que marcam a pele como tatuagens. Elas sempre estão ali, e você sempre as vê, ou as sente.
A dor de cabeça já passou, já tomei um café. Sob a mesa, apenas minhas mãos. No peito, uma leveza. E eu que não acreditei em mim mesmo pude notar quão tolo fui. Pois estava ali, inteiro. Isto por que cada dificuldade é uma prova. Prova esta só burocrática, pois por bem ou por mal somos aprovados, tirando a nota que devemos tirar.
É do ser humano ultrapassar (ou pelo menos querer ultrapassar) horizontes. Não importa quão acomodado você seja, você sempre quer mais. Portanto, querer por si só deixou de ser um diferencial. Tem que fazer. Tem que ser. Querer é só querer.
As vezes a gente acaba esquecendo que a vida é uma só, e que só vamos viver uma vez nela. Nos acomodamos, deixamos o tempo passar. Depois olhamos para trás e sentimos remorso. Aí vêm os “se”.

Que tal deixar os “se”?! Melhor se arrepender do que se fez a que o que nunca foi feito. Ambos são passado. Ambos não dá para mudar. Mas o fazer ensina, o hesitar apenas hesita.
E se errar o caminho? Ora, sempre tem um retorno. A volta vai ser maior, mas as experiências também… Isto por que na natureza nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.

A angústia

Você vê acontecer, mas não há nada que você possa fazer para impedir. Então ficamos de mãos atadas. Mas que importa? Que aconteça! Que desatemos as mãos… Que vivamos mais, desta vez sem precedentes, sem angústias, sem medo de ser feliz. Por que felicidade, para alguns, é uma ameaça.
Num dia nublado, veja o verde da grama, não o cinza do céu. Abra os braços, pelo menos uma vez na vida, para sentir a brisa gélida de uma tarde de inverno. Esqueça um pouco, nem que seja um pouquinho, o dia de amanhã. Vamos viver o hoje, nem que seja só por hoje.
Abra os olhos, olhe ao redor. Veja o que você deixou de ver por tanto tempo. Note como o mundo mudou. Note o que você passou e veja como você está mais forte, mais ágil, sempre mais, para o que der e vier. Sorria e perceba seu sorriso.

E o complexo se torna simples, o impossível fica tangível.

E os sonhos podem, mais uma vez, brilhar em você.