O Medo

O Sol vem e vai. A Lua sobe ao céu e desce. Ciclos se iniciam e terminam a todo momento.
O mundo movimenta-se num ritmo natural. Ninguém percebe, mas está tudo ali, acontecendo a cada instante.
Ninguém quer arriscar. Todo mundo quer ficar sempre na ponta do penhasco. Sempre “a ponto”, mas nunca “enfim”.
Enquanto o medo e as projeções forem os alicérces do teu hoje, a tua busca pelo mais será sempre no amanhã. Vive o que tens que viver. Por favor, para de olhar o relógio. O tempo é teu e de mais ninguém.
As flores caem, as folhas secam e outras nascem em seu lugar. A árvore continua inteira. Por que não é o exterior que a influencia. Ela que dita as regras de quando é hora de começar do zero.
O controle sempre foi teu. Os sorrisos que roubaste vieram de teus méritos. Então pára disto.

Mas pára logo… Cada segundo passado é uma grandeza que o tempo levou e que nunca vai voltar.

Quem foi que disse?

Quem foi que disse que precisamos de alguém para ser feliz? Quem foi que disse não há mais tempo e que começar do zero é sempre dor de cabeça? Quem foi que disse que você não deve sonhar?
Vamos parar um pouco a rotina e analisar, friamente.
A felicidade (e cada um tem a sua) está dentro de si próprio. Você é feliz por natureza. O fato é que esta noção vai se perdendo no decorrer dos anos, quando se “amadurece”.
O problema aqui é que amadurecer, para muita gente deste planeta, significa matar crenças, desacreditar. Basta uma criança dizer que não acredita em papai noel para que seja vista como pré-adolescente.
Isto não é crescer. Adulto não é ser incrédulo. Adulto não é “deixar na mão de Deus”, levar com a barriga, ser estável.
Adulto é se conhecer, é ser ativo na própria vida. É deixar de assistir e começar a atuar.
Se vemos por este lado, seguro que notaremos que ainda somos crianças, e que tem muito pouco adulto neste mundo.
Quando se está preocupado demais pensando no que a sociedade vai achar de seus atos (não ilícitos, por favor, por que ainda vivemos em uma sociedade, ou algo próximo disto), deixamos de ter experiências novas, de dar a nós mesmos novas perspectivas.
Faça o que tiver que fazer, mas faça.

Viva, pois a vida é uma só e você é o único responsável por fazer dela a viagem mais proveitosa de todas.

A súplica de uma mente sem palavras

Por dias tentei achar as palavras certas para poder explicar o que estou sentindo no momento. Desde então, cada linha que escrevi tem sido rejeitada por mim mesmo. Nenhuma delas conseguiu, ou consegue, hoje, dizer o que quero passar.

Os sentimentos estão aqui, e eu sei disto. Mas não consigo expressá-los, nem para mim, nem para ninguém. E sim, sim. É difícil imaginar tudo isto. Quando me dei por mim, havia um bloqueio. Este que não me deixava transceder minhas próprias barreiras. Meus atalhos já não estavam mais funcionando. O jeitinho que dava em mim mesmo deixou de ser efetivo. Não houve razão.

Foi aí que as coisas começaram a mudar. Primeiro por mim. O interno teve que passar por modificações. Sem este passo, não teria as novas perspectivas que tenho. Não reformularia ópticas, conceitos.

Foi um dia que vi diferente. 24h que mudariam minha vida. Foi quando desentendi que comecei a entender.

Caixinha de surpresas

Ao passar por aquela porta eu entendi: Aquele era meu ponto de chegada e meu ponto de partida. O que passei e deixei de passar ficariam para trás.
Tive que virar a maçaneta para compreender. Um simples movimento giratório que mudaria todo meu percurso.
Sim, eu passei pela porta… e me emocionei com o novo horizonte que vi. Era isto que eu tanto temia? Era isto que eu me negava a um dia presenciar?
Uma, duas, mil lágrimas se derramaram e limparam minha alma quando me dei por mim. Estava inteiro. Estava novinho em folha. Cada arranhão estava cicatrizado e curado.
Temos a escolha de ver o lado vazio ou o cheio do copo. Isto é uma opção de cada um. Uns verão metade vazio, outros metade cheio.
O que importa não é fazer o outro ver o lado que você quer, mas entender que isto é uma escolha fora de sua atuação.

Cruzei cada oceano de meu mundo. Fiz minhas escolhas e arquei com cada uma delas. Hoje sou apenas um reflexo do que fui. Por que dia após dia fico mais forte. Cada dia tenho mais vontade de viver.

O mundo é uma caixinha de surpresas. Mas você tem que abri-la para ver o que tem dentro. Caso contrário, fica-se só na expectatva…

O pôr que renova o dia

Foi numa tarde qualquer… O Sol se punha lento, recolorindo cada metro do céu. O amarelo ia se tornando laranja, e este roxo. Eu assistia aquela cena sem pressa. O relógio não ticava. O coração não batia.
Mil perguntas rondavam a mente. Muitas delas sem respostas. Muitas delas sem nem explicação.
Eu não buscava nada, só olhava o pôr do Sol. Elas que me procuravam. Elas que me cutucavam e invadiam meus pensamentos.
Havia uma ideia, apenas uma de tantas outras, que se empreguinou em mim até que pude entender…
O Amor tem lá suas mil faces. Reconhecer a que você sente é como achar uma agulha em um palheiro. Mas, se quiser entender mesmo, não tem erro. A coisa fica tão simples quanto achar um ponto fluorescente em um quadro fosco.
O foco aqui já não é entender. É apenas não perder experiências.

E se chegar o momento o qual as coisas deixam de fazer sentido, é por que é hora de olhar de maneira diferente.

Por que quando cada palavra dita soa vazia, vale realmente a pena permanecer?

Quando o toque já não faz falta. E quando as borboletas do estômago morrem. Acalme-se, não é tragédia.

Basta uma flor morrer, mesmo que a mais bonita do seu jardim, para que outra renasça.

O que faleceu não volta. E o que se deixou de dar jamais será dado.

Acorde pois a hora é agora. É o hoje. O amanhã que venha amanhã. E o ontem que fique guardado no coração. Por que é lá, e em nenhum outro lugar, que ele tem que ficar.

O Eu em mim

O solo estava umedecido. Por isto, refletia o céu. O horizonte deixou de existir na mescla destes dois mundos, o divino e o profano.
Não havia mais divisão, era tudo uma coisa só.
Suspirei e sentei nas próprias pernas. Eu não fazia ideia de quanto tinha caminhado até chegar naquele ponto. Em nenhum momento me questionei. Não queria saber. O importante é que estava ali.
No peito, havia um coração com muitas cicatrizes. Havia restos de sonhos, planos e pensamentos que perderam força durante a jornada que desembocou onde estava.
Tudo era parte de mim, pedaços desconexos e desencaixados. Era hora de montá-los novamente.
Dei um passo ao me levantar. Meus pés já não doíam. Metro a metro, andando sem parar. Reflexo por reflexo, me mostrando sempre um alguém distinto. Não era ninguém desconhecido. Era eu mesmo, em perspectivas diferentes.
Ali era meu ponto final e meu ponto de partida. O divisor de águas. O divisor da vida. O falecer de um. O nascer de outro.

E em cada túmulo que eu mesmo cultivei, há uma parte de mim. Lembrança do que fui e nunca mais serei.

Pense, respire fundo e siga seu coração

Por detrás das nuvens, vejo o Sol. Vejo meu sorriso.
É quando o escuro se faz claro, na transição entre a luz e a escuridão, que os maiores despertares acontecem.
Isto é vida. É cada sentido que se aguça com música, aroma e tato. É aquilo que te lembra que você não só respira, mas interage. Não só existe como faz. Ou ao menos deveria ser assim.
Quandos as respostas estiverem muito difíceis, será que não é momento de rever as perguntas? E se elas já não forem mais válidas?
O dia se torna mais leve se o encaramos desta forma. E haverá sempre mais um motivo para um pouco mais. Você quer mais de si, só ainda não descobriu isto.
Tudo o que você sempre buscou esteve debaixo de seu nariz. Na verdade, esteve dentro de você.
Cada um é seu próprio mundo, tem suas próprias diretrizes. É você quem faz a mágica. Você e mais ninguém. O segredo é saber quando fazer. Tudo tem seu tempo, nunca se esqueça disso…

Pense, respire fundo e siga seu coração. Ele tem mais a dizer do que você sequer imagina.

Desentimento que aquece

O café gelado sob a mesa. A xícara fervia. A água borbulhava. Cada gole ardia. Era ardência que não queimava. Era dor indolor.
Que cheiro era aquele que eu sentia? Que é que exalava tal fragrância? E qual era meu maior desejo naquele momento?
Fechar os olhos não bastava. A calmaria não vinha, só o tormento de imagens distorcidas.
E eu estranhava cada reação minha. Por que nada que me derrubava antes me afetava mais. E se algo tivesse morrido em mim? Que significavam estes pensamentos aqui?
Os sentimentos que já não latejavam no peito. A paixão que não desenvolvia. Era só desejo? Ou era apenas capsulamento?
A música do fone cobria todos meus movimentos. Não ouvia o mundo externo. Aquele espaço era só meu.
Ninguém entrava, só eu saia.
O mundo não parou. Não deixou de girar. Fui eu que deixei de flutuar.

Mas quando eu menos esperava, encontrei o teu olhar. O reflexo se fez e me espelhei. Já vira aqueles pares antes. Eram os meus.

Alguém me contou

O silêncio da noite me inquietava. Era tarde, passara das zero. Sentado na beira da cama, olhava manso a luz branca da lua cheia que invadia meu quarto. Luz intensa, luz inspiradora. Luz tão forte que parecia luz do dia.
E eu mantinha um sorriso no rosto. Uma alegria incomum. Não era amor, muito menos paixão. O que era eu não sabia , embora não fizesse a mínima diferença. O bom era sentir. Era interagir. Era deixar de assistir. Era ser o protagonista da minha própria historia. Era dizer adeus ao expectador em mim. E não doeu nada, não. Foi bom.

Alguém me contou, quiça meu coração, que o melhor da vida era ser. Nada além disso. É tudo o que o ser humano precisa.

Percepções

Ando por uma rua larga. Há poucas pessoas ali. O movimento é quase nulo. O ambiente está praticamente deserto.
Este era meu cenário. Esta era a minha realidade. E, para mim, a rua era estreita demais. Para mim, havia muitas pessoas ali.
Quando me dei por mim, já havia andando muitas quadras nesta errônea percepção. Perdi, sim, oportunidades, mas vivi como quis viver. Fiz o que queria fazer.
Muitas vezes nos depararemos com situações que interpretaremos como X o que é Y ou vice-versa (e estas duas letras não são aleatórias). Muitas delas podem levar a caminhos ainda mais interessantes apenas por serem vistas por outra óptica.
Pare e reflita.
Vale a pena? Ou a pergunta seria o que não vale?
Respondido, faça o que achar melhor, mas faça com paixão, com vontade.