Sentir a Vida

Acordar, respirar e, então, se sentir vivo. Colocar a mão no peito e observar o coração bater. Tudo isto faz parte da vida física, do nosso organismo funcionando e nos mantendo vivos. Entretanto, não levamos em conta nenhum destes elementos quando dizemos que nos sentimos vivos.
Não é pelas reações químicas, impulsos nervosos, sínteses de proteína, entre outros, que fazemos tal afirmação. Falamos “me sinto vivo!” por algo além, produzido em algum lugar que limita o coração, a mente e nossa alma. Um sentimento intrínseco, puro, que nos leva a crer que temos um objetivo alcançado, ou algo que nasce e balança nossos alicérces a ponto de nos fazer observar o exterior, o que acontece do outro lado do muro.
Por muito tempo vivemos numa cápsula pessoal, num mundinho só nosso que não deixamos os outros terem acesso. É nosso canto e que ninguém se atreva a mexer nele.
Diariamente somos convidados a sair deste mundo, abrir-se ao exterior e explorar nosso próprio universo. A escolha sempre é nossa, mas em certos momentos nos abrimos sem nossa própria percepção, por algum motivo aleatório, e aí o que nos rodeia fica mais cor-de-rosa.
Se sentir vivo, portanto, faz parte de um processo totalmente distante do estar vivo em si, do existir. Requer experiência externa, contato, toque. É o desafio constante de sair da nossa caixinha, o estímulo que nos move a almejar uma mudança e lutar por ela, ou a apenas olhar para si e se auto-observar.

Quando abri os olhos naquela manhã senti algo diferente. Não era um despertar qualquer. Algo além da minha própria consciência acordara. E me trazia mudanças.
Era um sinal. Mais uma vez as coisas mudariam completamente. Era só uma questão de tempo.

O Mantimento que não vale a Pena

Não guardar rancor, ressentimentos ou coisas que não valem a pena manter no peito quando ocorre um atrito, uma discódia ou até mesmo um rompimento entre relações, sejam elas íntimas ou não, é difícil. Isto porque, querendo ou não, situações desse tipo enfervessem nossa emoção, cegando nossa percepção macro das coisas.
Eu simplesmente não quero mais isso para mim. Os efeitos colaterais que alimentar sentimentos como aqueles causam são um preço que não quero mais pagar. Eles descontinuam o processo de evolução e definitivamente não quero ficar parado no tempo.
O desafio à frente é enorme. Sei que vai dar trabalho e que os progressos virão com bastante calma. É o custo-beneficio que me move neste momento.
Para evitarmos sofrimento, entendo que somente o bom deve ser mantido em nossos corações. E é o que vou tentar fazer.

Lembrar de um prazer às vezes pode trazer a mesma ou até mais felicidade que o prazer em si. Ter um rancor, todavia, só mantem o sofrimento.

E a Vida já é repleta de coisas que não nos agradam… Que tal dar valor ao Bom que podemos manter, então?

Um Estranho

Tem um sentimento estranho no meu peito. Ele causa nostalgia, mas não me faz confortável. É uma tranquilidade disfarçada. É aquela sensação de conformidade que você tem quando se dá conta que um sonho seu não vai se realizar, independente do que você faça, independente das circunstâncias. É um gosto doce, mas amargo.
Todos os almejos que fracassaram se fizeram lembrar hoje. E as mudas de roupa velha guardadas no armário, me desfaço delas agora mesmo.
Meu peito esvazia e sinto um incrivel alívio.
Há uma calmaria. Há uma certa calmaria. A ressaca passou e o mar finalmente se mostra estável. Tudo é calmo. E não há o que me faça mais feliz neste momento.

Os sonhos Passageiros

Enquanto o Sol nascia e uma forte faixa de luz vinha do horizonte eu abri os olhos. Enchi os pulmões de ar, limpei a vista com os dedos e levantei-me. Não fazia muito tempo que adormecera ali, mas era hora de acordar.
Dei os primeiros passos com dificuldade, ainda estava com sono. O trajeto seria longo, porém a promessa no ar era de não olhar para trás.
Entre o limite da razão e emoção, me espremi no apertado corredor que ambas formavam a minha frente e passei. Não era uma tarefa fácil, nunca foi. O fato era que simplesmente não havia mais postergações. Já não tinha ferramentas para ir em frente sem desviar meu caminho.
Então segui. Voltei a caminhar.
Os sonhos que me motivaram a adormecer me fizeram crescer.
O despertar chegou e tais sonhos se esfaleraram em pó cósmico no peito no momento que o Sol brilhou.
Sorri e segurei o coração com as mãos. Eram apenas sonhos. Sonhos passageiros. E era hora de continuar.
Adeus ou até logo, só o tempo irá dizer.

Carpe Diem

Era um imenso horizonte a minha frente. Kilometros e kilometros adiante, estendendo-se de leste a oeste sem nenhuma hesitação. Era puro Atlântico, e o mais extenso e amplo horizonte que já havia visto antes.
Em algum momento, ainda perdido naquela vista, senti alguma faísca no peito, como se algo quisesse arrancar partida, engatar. Acho que é isto que chamam de motivação. E então era isto, estava motivado pela vista do mar.
Ainda confuso, tentei organizar as ideias. O que estava acontecendo? Queria rir, gargalhar. Me senti esquisito por mais alguns instantes. E antes mesmo que pudesse me recuperar, o céu foi iluminado por explosões coloridas que variavam entre dourado, vermelho e verde, o que voltou a me deixar em estado de inebria.
Os dias são novos, mas não parecem mais especiais que os do ano passado. Indiferentemente, apenas por fazermos parte deles, eles se transformam em clímax.
Aproveite isto! Carpe Diem 😉

Feliz 2012!

Sempre que fechamos ou estamos prestes a fechar mais um ciclo em nossas vidas, há um calafrio que sobe a espinha. Todo novo ou desconhecido nos dá certa repulsa, aflição.
É mais um capitulo que se fecha. É mais uma nova história que se força começar. E neste vai-e-vem estamos nós, dançando (ou tentando dançar) no ritmo da música. Às vezes, erramos o passo, pisamos no pé alheio, tropeçamos nas próprias pernas, mas continuamos a dançar. Não dá para parar.
E aí vem o Ano Novo. Fazemos uma lista de ações a serem tomadas e começamos o tal novo ano cheios de energia. Mas basta tomar o primeiro tombo para que boa parte desta energia se vá. A “desesperança” vem e deixamos de cumprir nossas próprias metas e tudo bem. Outro ano vai chegar e teremos outra chance, certo?
É mais um ano que se vai. Mais um ano que vem. Mais promessas que faremos. Mais batalhas… E mais vitórias. Derrotas virão. Faz parte. O importante é saber que há ganhos, mas que também há perdas. E um completa o outro.
Com lutas, surgem mudanças. Todavia, mantenha em mente: mil mudanças podem vir. Porém só fazem efeito se estvermos abertos à elas. Quando estamos fechados são apenas eventos.

Dizem que 2012 é um ano de mudanças. E pode até ser. O que deve ser questionado é: quão abertos e preparados estaremos para elas…

E os fogos de artifício mobilizam. São explosões de luz que iluminam o céu. Brilho nos olhos de quem vê. Calor no coração de quem sente. É o anúncio de um novo ciclo que se inicia.

Que desta vez nossas promessas se cumpram. Que mais uma vez brilhemos. Nunca se deixe ofuscar.

Feliz 2012!!!

Faça um Pedido

Nunca pedi muito. Acho que todos meus pedidos costumam ser humildes. Simples tão quanto traçar uma linha torta destas que vêm de um movimento natural do braço, nada complexo.
Fui lutando cada batalha com minhas melhores armas, conquistando cada território com o que chamei de próprio suor. A Guerra não chegou a terminar. Ainda havia partes que precisava dominar. Tudo se congelou, como pedra de gelo, no instante que decidi focar as atenções em algum objetivo. Meu mundo esperava algum estopim. Os nervos estavam a flor da pele. E as consequências de qualquer ato inocente poderiam causar danos e feridas que deixariam marcas para sempre.
Eu tinha pendências. Assuntos mal resolvidos e empoeirados. Coisas que havia deixado para trás há muito tempo. Pequenos detalhes que se perderam no girar dos ponteiros e passar dos anos. Era hora de virar a página, fechar o capitulo, e começar outro com novas histórias.
O papel está sob a mesa. E eu tenho a caneta na mão neste momento. Leio minha própria obra. Releio meus clímax favoritos, me emociono nas linhas tortas que escrevi e sinto meu coração formigar com cada parágrafo dourado que encontro, sortidos no extenso texto bem a minha frente.
Não, eu não cobro por sorriso dado. E não tenho medo de caminhar nas trilhas que ainda desconheço. Só ofereço o que tenho em mãos, e peço desculpas se não alcançar quaisquer expectativas.
Eu acredito em palavras ditas, e não vejo problemas em ser chamado de tolo. Faço o que posso fazer e tento compreender o que não faz parte de meu escopo.
Alguns me dizem que é hora de começar de novo. Mas eu digo que este tempo já passou, e que a hora é de recomeçar o que já recomeçou, seja lá o que isto significa.
Não me aborreço mais pelo que deixei de entender. Se certas coisas fossem entendíveis, a humanidade não teria os seus mais belos mistérios.
Me desculpe, mas talvez seja o momento de partir. Não sei quando retorno, mas sei que um dia voltarei à este recinto.
Meu peito estufa. É aquela ansiedade natural do novo. Minhas mãos suam em parceria ao coração. A respiração se torna ligeriamente ofegante. Solto um longo suspiro e, de olhos fechados por um curto momento, eu deixo a porta aberta e parto.
“Não tenha pressa e não tenha medo”, repito a mim mesmo. Está tudo bem! Pois as respostas que busco, sejam lá quais forem, só o tempo irá trazer

A caixinha de Pandora

A verdade é que a vida é muito mais do que sequer imaginamos. Nos prendemos nos detalhes, quando o segredo é ver o macro.
Todas as desilusões ou dificuldades servem apenas para nos deixar mais fortes e não mais desesperançosos. E o que não depende de nós, que deixe de pesar tanto.
Carregamos fardos desnecessários na tentativa de forçar situações. O que não há de ser moldado por nossas mãos, deixe que seja moldado por quem deve moldá-lo. E na decisão, não consulte apenas a cabeça, por mais que o momento peça isto. Ao menos ouça o que o coração tem a dizer e tenha ciencia do que sente, e respeite isto.
A luz que tem iluminado seu caminho sempre foi sua, acredite. E você está sim preparado para o que der e vier.
Assuma seus riscos, enfrente as consequências das suas escolhas e se ouça mais. Ninguém melhor que você mesmo para entender todos os segredos desta caixinha de pandora que você tem.
Se permita discordar de si mesmo. O conflito interno só nos faz ampliar nossa própria visão, descondicionar pensamentos e analisar nossas próprias ações.

Nem sempre seremos coerentes nós mesmos. O segredo está apenas em como lidar com isto.

O conflito

Eu fechei os olhos por alguns instantes e pisquei. Ainda estava no mesmo lugar.
A cama, macia, provia muito mais que descanso. Era sobre ela que tinha os mais diversos tipos de diálogos. Estes os quais ninguém nunca sequer imaginou que pudesse ter.
Ao meu redor, a escuridão me consumia. Não via nada claro, apenas formas incompletas das coisas.
Eu queria poder fazer muito mais do que estava fazendo, esta era a verdade. Não era um sentimento qualquer. Eu realmente queria ajudar, talvez mais a mim do que qualquer um.
Então eu lembrei. Lembrei de cada conversa que tive. Recordei todas as ideias que expus. Notei que elas foram monólogos com respostas fabricadas.
Eu suspirei. Olhei nos seus olhos. Algo nascia com o brilho deles e morria com as verdades que eles me contavam.
Eu ri. Eu gargalhei. Voce me acompanhou sem entender.
Dei um murro em seu rosto. Um som de cristais partindo-se ecoou e você quebrou em pedaços. Minha mão se cortou com o golpe.
Foi a primeira vez que te enfrentei. De frente. Eu tinha que estar em sintonia contigo para que se encaminhasse o que tivesse que encaminhar. Eu te ouvi mais e falei mais.
E cada folha do calendário que caiu me deixou mais próximo de você.
Sem mim, não há você. Sem você, eu não existo.

Uma nova batida nasceu em meu peito. É um renascer, eu sei disto.
Muita coisa vai mudar. Muito do que era já deixou de ser.

Use as armas que tem. Construa o que tiver que construir.
Deixe tudo para hoje.

Por que amanhã, haverá novas armas. E as habilidades que você precisará para manejá-las só dependão de você.

Lembre-se disto em cada pôr-do-Sol. Ele pode ser seu primeiro. Ele pode ser seu último…

O discurso Interno

Uma nuvem negra cobria meus pensamentos. O caos se instalara na mente sem nenhuma intenção de sair. No peito, latejo e agonia.
Fechei os olhos por alguns instantes e me observei. Que bloqueio era este que se formara?
Senti o coração pulsar desesperado.
Pedi calma a mim mesmo e respirei fundo.
Como se num pronunciamento nacional, todas partes minhas pararam para ouvir atenciosamente o que eu tinha a dizer.
Enchi o pulmão de ar e subi no palanque. Havia uma grossa camada de poeira cobrindo o mesmo. Não conseguia me recordar a última vez que havia feito isto.
Silêncio. Todos me olhavam com ternura.
“… Eu…” – houve uma breve pausa – “Eu não sei por onde começar” – sorri sem jeito.
Todos aplaudiram aquelas 6 palavras que pronunciei. Me emocionei.
Olhei brevemente para a platéia. Quanta gente nova ali. Quanta gente mudada. Como é que não havia me dado conta antes?

Durante todo o discurso, expus fatos, angústias, medos, despreocupações, etc… E ouvi atento o que cada um ali tinha a dizer.
Não sei quanto tempo fiquei lá, nem quantas horas posteriores tomei absorvendo cada ponto de vista que me foi dito.
Quando percebi, não havia mais nuvem cobrindo nada. O coração estava tranquilo novamente.

No momento em que me despedi, virei as coisas para a platéia sem uma promessa de retorno e desci do palanque, eu entendi:
Antes de qualquer consulta do lado de fora, devemos nos escutar. Ninguém melhor do que nós mesmo para compreender o que nos passa. Se não há entendimento interior, não há compreensão externa.

Ainda me lembro de cada sorriso que vi, de cada aplauso que escutei e de cada opinião compartilhada. Ainda lembro cada olhar e cada sentimento que se espalhou no meu peito.

E pela primeira vez notei um Sol nascendo em mim…