Num ciclo Infinito

E assim termina o dia: com outra incógnita. O coração bate agitado e sem muita noção do que acontece no meu interior. Uma fileira de sentimentos se faz e um quer passar por cima do outro. Respiro fraco e acalmo a mente.

Ouço uma nova melodia. O arranjo me conduz. Os pés se movem e fecho os olhos. Entro no meu próprio universo. E fundo navego. A atmosfera muda. Vou de dimensão em dimensão. Mais perguntas. Mais respostas. Tudo gira. O início termina e o fim começa.

A busca não termina. Os achados, também, não. Um sobrepõe o outro. E tudo se completa.

Amanhã já vem. E com ele, uma nova oportunidade. É assim que tem que ser.

Um dia após o outro. Um outro após um dia.

Num ciclo infinito onde um mundo acaba, mas outro se inicia.

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O Mantimento que não vale a Pena

Não guardar rancor, ressentimentos ou coisas que não valem a pena manter no peito quando ocorre um atrito, uma discódia ou até mesmo um rompimento entre relações, sejam elas íntimas ou não, é difícil. Isto porque, querendo ou não, situações desse tipo enfervessem nossa emoção, cegando nossa percepção macro das coisas.
Eu simplesmente não quero mais isso para mim. Os efeitos colaterais que alimentar sentimentos como aqueles causam são um preço que não quero mais pagar. Eles descontinuam o processo de evolução e definitivamente não quero ficar parado no tempo.
O desafio à frente é enorme. Sei que vai dar trabalho e que os progressos virão com bastante calma. É o custo-beneficio que me move neste momento.
Para evitarmos sofrimento, entendo que somente o bom deve ser mantido em nossos corações. E é o que vou tentar fazer.

Lembrar de um prazer às vezes pode trazer a mesma ou até mais felicidade que o prazer em si. Ter um rancor, todavia, só mantem o sofrimento.

E a Vida já é repleta de coisas que não nos agradam… Que tal dar valor ao Bom que podemos manter, então?

Inspirar. Expirar

São onze e ainda não cheguei em casa. A cabeça roda, gira. Mas não há uma gota de álcool em minhas veias. Pensamentos processados em montantes, tudo em blur. O bloco de notas do celular está cheio de textos inacabados. Talvez por um bloqueio “artístico”, ou quem sabe por algo mais sério.
Pensamentos processados em montante. Fatos desconexando-se.
Há uma nova calmaria. A confusão já está passando enquanto a névoa da dúvida se dissipa no horizonte.

Venha o que vier. Agora só depende de mim. E quem sabe não esteja preparado. Quem é que está?
Num mundo onde tudo se transforma, esperar pelo estático já soa tolice demais.

Por enquanto, só é preciso respirar.
Inspirar, depois expirar.

Avulso I

E quando perdemos o conceito de orgulho e o confundimos com controle? Pensamos que estamos sendo firmes em uma decisão quando, na verdade, estamos sendo orgulhosos…
E como lidar quando começamos a descobrir partes nossas que não nos agrada nem um pouco? Isto é o que chamam de auto-conhecimento?
Quantas vezes devemos analisar nossos próprios passos para identificarmos inconsistências entre o que acreditamos e o que fazemos?
Assistimos nossas vidas mudando bem debaixo de nossos narizes, mas… É só isso? Devemos só assistir? Claro que não, ou… Pois é. Nem sempre temos direcionamentos ou respostas para nossas dúvidas. Basta decidir entre continuar buscando-as, ou simplesmente achar novos questionamentos.
E quando queremos realmente continuar perguntando as mesmas coisas, é bom avaliar se a perseverança não se transformou em insistência desnecessária.

Os dias passam, mudamos e vemos o mundo se transformar ao nosso redor. Não é caótico como enxergamos. As coisas mudam de acordo com quem as vê. Você só precisa de preparo. E aí estará tudo bem.

Francisco

Assistimos o nascer a cada instante. Todo dia é um novo nascer. Cada vitória é um novo nascimento. E o fruto do amor traz consigo uma vida. E une pessoas, e caminhos, e vidas. Uma mulher que se transforma em Mãe. Um homem que vira Pai. Uma familia inteira que se mobiliza. O mundo muda e tudo passa a ser explorado de uma maneira inédita.
Nascer. Renascer. Mudar. E que assim seja!

Klara e Bruno, parabéns! O Francisco é e sempre será um menino abençoado. =]

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Um Estranho

Tem um sentimento estranho no meu peito. Ele causa nostalgia, mas não me faz confortável. É uma tranquilidade disfarçada. É aquela sensação de conformidade que você tem quando se dá conta que um sonho seu não vai se realizar, independente do que você faça, independente das circunstâncias. É um gosto doce, mas amargo.
Todos os almejos que fracassaram se fizeram lembrar hoje. E as mudas de roupa velha guardadas no armário, me desfaço delas agora mesmo.
Meu peito esvazia e sinto um incrivel alívio.
Há uma calmaria. Há uma certa calmaria. A ressaca passou e o mar finalmente se mostra estável. Tudo é calmo. E não há o que me faça mais feliz neste momento.

Um tic, um Tac

Tic tac, tic tac, tic tac, vem e vai. Passa a hora, passa o tempo, tic tac, tic tac, marcha lenta, sem parar. Tic tac, tic tac, perco a hora, perco o tempo, tic tac, tic tac, passa a hora sem parar.
Tic… Tac… Um tic. Um tac. Sem parar…

O retilíneo Curvado

Ele está ali, sentado. Muita gente ao redor. O ar é escasso, porém ainda dá para respirar.
O corpo está aqui, mas a mente parece estar em outra dimensão.
Este bip é um chamado ou é pura imaginação? O externo acabou de se aquietar. Agora tudo lá fora é puro silêncio. Agora danço no meu próprio ritmo.
E esta melodia que envolve o corpo é só mais um reflexo.
Porque neste momento sou eu quem faz meu blues.
A gente dança junto. O crepitar da lenha é o nosso tempo. Enquanto há ritmo, não há luto.
O ontem se tornou o hoje. E o Tempo se perdeu no seu próprio espaço. É que o linear se fez curvelíneo. E foi neste exato momento que tudo mudou.

O brilho da Estrela

Caminhava inerte nos próprios pensamentos. Mil ideias, mil lembranças, um sonho, um coração. Um sorriso, um aperto no peito. A mesma vontade. O mesmo brilho.
E a medida que me afastava, via o horizonte mudar sua forma. Meu trajeto mais uma vez mudara. E mais uma vez me vi naquela mesma curva. Faltava pouco, pouco até demais.
Foi quando veio a onda, e o choque me deslocou. O que estava ao meu redor girou. Rodopiei e logo estava em um novo caminho.
Pinto minha própria obra e as cores se mesclam num tom só. Não é mais a melodia que me guia, é o som da minha própria voz.
Não é o Sol, não é a Lua. Desta vez, é o brilhar da minha estrela.

A ressaca pós Tempestade

Desta vez, o tremer do chão. Foi a primeira vez que senti o amargo tão forte. Era um tufão no peito que o preenchia com sentimentos diversos e conflitantes ao mesmo tempo.
A tempestade passara, mas ainda havia a ressaca do mar. Agora é com o tempo.
Começo a me amar como nunca antes. E começo agora a enxergar o ambiente com angulos distintos dos quais estou acostumado a ver.
Desta vez, sinto todos ao meu lado e sinto coisas que já não sei nomear.

Eu quero de novo me jogar do penhasco. Por que mais uma vez vou arriscar. E é este calor no meu peito, este que aquece minhas veias. É este que eu quero manter.
Há teias que me seguram. É hora de rompê-las. Por que fui eu quem as deixei formar. Portanto, hei de ser quem as desgrudará dos pés.

É hora de pular. Mais uma vez