O “D”

O olhar distante leva consigo mais uma vitória. As mãos calejadas lembram todo o esforço. O peito, ja ex-latente, só é um adendo.
O que vale não é o que se passou, mas o que aprendemos de cada etapa, cada erro e cada acerto. Creio ser este o real sentido, e ponho todos meus votos nesta ideia.
Não importa o que deixamos de ver ou o que nunca vimos. O que importa mesmo é o que você tem aí dentro de si.
Estamos no limite entre a realidade e a imaginação. Cada um faz seu pròprio mundo. Cada um escreve sua própria história, com seu próprio lápis, caderno.
Esta em cada um a vontade de viver ou apenas respirar.
É de cada um crescer ou permanecer onde está.
É de cada um ser cada um.

O alarme toca, todo dia, mostrando para nós que ainda existe um novo amanhã. E se olharmos para trás, apenas por curiosidade, veremos o quanto já andamos. E aí pergunto: por que desistir agora?!

Nem mais, nem menos

Desta vez, as coisas eram bem diferentes. Havia uma ansiedade no peito desnecessária. Eu ja havia pensado muito. Não tinha em números as tantas vezes. Entretanto, não obstante, porém, aquela havia sido a primeira vez a qual eu havia efetivamente dito algo. As silabas se formavam em palavras automaticamente, cuspidas do âmago sem qualquer pudor. Não bastou. Não houve retorno. E foi desesperador entender que cada palavra provavelmente não surtira qualquer efeito.
Eu tinha sido claro o bastante. Mais do que o normal. Mais do que eu mesmo queria ser. Era difícil entender, mas tinha sido assim.
Desta vez, eu não quis me olhar no espelho. Meu reflexo ardia nos olhos. Não era tristeza, não era alegria. Não era indiferença. Era uma mistura, provavelmente dos três. E mesmo tentando focalizar qualquer ponto bacana, o que via era apenas um vazio.
Ah, mas o que era isto? Não era pra ser um vazio, mesmo? Sim, era.

E aí entendi, outra vez: Existem coisas que não dependem somente de nós, independente do que façamos. O que podemos fazer nestes casos é assistir. Nem mais, nem menos.

O cinza que perdeu o dia

O dia era um como outro qualquer. As nuvens cobriam o céu, impedindo o Sol de brilhar e fazer brilhar. A cor que reinava era o cinza claro do alto e o escuro do asfalto. Caía água lenta e fria lá de cima. O barulho era de chão molhado. Ninguem falava. Ninguem tremia. Ninguem se mirava.
O cenário era propício a qualquer outro sentimento, menos àquele calor que tinha no peito. Uma sensação de alegria, de leveza. Não era consequência de nenhum sonho, não era consequência de nada. Era coisa da minha existência. Nem mais, nem menos. Eu estava desprovido de qualquer questionamento. Não valia a pena entender o por quê. Quem queria saber?
Continuava cabisbaixo, andando devagar, com um sorriso incomum que iluminava cada passo como um farol que ilumina a estrada. Ninguem entendia o que eu quis dizer naquele dia, ninguem entendia o meu riso. Nem eles, nem eu.

O retrovisor

E quando o retrovisor se faz enxergar? Não se desespere. Apenas o olhe da forma que ele quer. Há sempre uma razão para que ele esteja ali, naquela posição, naquele momento. Por que, sim, há situações as quais olhar para trás é inevitavelmente importante, seja para superar, seja para recordar. E assim segue-se a vida. Passo a passo, sem se afobar.
O relógio vai dar mil voltas, mas nada vai importar. Por que a cada volta, você se faz mais forte. A cada fortalecer, você se vê melhor.

E no final das contas, é isto que importa. Estar bem consigo mesmo. Por que nada se encontra no exterior quando as ferramentas internas estão dispersas.

Tic Tac

Tic tac, tic tac. Um ciclo se fecha, outro capítulo começa. O coração bate forte, é hora de começar novamente. E onde o velho e o novo se mesclam, vejo um mais um nascer. É lá que as coisas acontecem. É lá que me faço crescer.

O Horizonte se torna infinito. E o céu já não é intangível. Os sonhos se transformam, mas a essencia continua a mesma. O mar bate na rocha, e a tritura, num ciclo sem fim, sem se preocupar com tempo, sem se preocupar com nada. E no fim, a rocha já é areia, e a areia já é praia.

O segredo é este. É fazer. É esquecer do tempo, por que ele sempre vai lembrar você do que se passou, mas nunca do que lhe resta. E você nunca vai saber.

Tic tac, mais uma volta do relógio… Tic tac, tic tac.

Olhos alheios

Quando começamos a ver as coisas por uma óptica diferente, é comum que nos deparemos com pontos de vista que antes pareciam tão inaplicáveis à nossa vida.
Buscar novas perspectivas está um passo além de mudar, pois querer uma mudança ou buscar por ela já é uma evolução.
Eu estava concentrado em outras razōes, em outros caminhos. Mas, quando tudo mudou, vi que acordos que fiz comigo mesmo estavam vencidos. Eram nocivos demais.
A pergunta que fica é: devemos sempre tomar tombos para ver com outros olhos? O que realmente motiva uma mudança na nossa vida? Será que é só vontade? Será que o que rege mesmo é uma necessidade?
Agora eu me via diferente. E isto era absolutamente normal. Muita coisa foi deixada pra trás para que novos horizontes viessem. E eles vieram.
Então assumo que se é hora de repor energias, façamos de modo que não nos impacte, ou que o impacto seja o menor possível. É aí que entram a familia e amigos.
Se pepinos fossem feitos para serem resolvidos sozinhos, o cortaríamos com as mãos, e não com o auxílio de uma faca. E não é que tenhamos de ser dependentes, não! Quem é que disse que independência é ser sozinho? Independer é apenas não depender, isto não significa que devamos fazer tudo sozinho e não ter ajuda de ninguém.
Se precisa, peça. Se pode auxiliar, auxilie.
E nunca deixe de buscar novos modos de ver as coisas. Às vezes isto pode facilitar muito mais a vida. Vida essa que já complicamos demais e desnecesssriamente.

Pense, reflita. Veja mais a luz do dia. E assim, certeza… Seu caminho vai estar mais iluminado.

Sem título

Eu estava ali, sentado, de frente para a janela de vidro. As luzes dos carros velozes na rodovia que estava há alguns metros me davam vertigem. Respirei fundo. Ouvia meu coração bater mais fraco que o normal.
Naquele momento, pior que qualquer outro, eu queria uma companhia. Alguém que me envolvesse em seus braços e me deixasse adormecer em seu ombro. Ao contrário, não via nada além de minha sombra deitada sobre o chão.
Às vezes a gente tarda demais buscando amores perfeitos, frases românticas inesquecíveis, aquela pessoa que é 100% compatível conosco. Botamos mil defeitos no que temos e não temos, sempre achando que há algo melhor, esquecendo-se que o melhor é agora, e que o tempo não é eterno, e que se você não cultiva, em breve sua rosa vai secar.
Nos esquecemos que um sorriso pode ser inesquecível e que não há necessidade de compatibilidade total para alcançar o que cada um, no fundo, busca.
E então as décadas passam. Tudo parece mais difícil. Mas, no final das contas, a vida é a mesma. Sempre foi e sempre será. Isto porque cada um faz da vida o que quer. Por que é você quem escreve sua história. E só basta determinação para fazer de cada dia o melhor de todos…

A espera

Sentado num banco, aguardo. A mochila, gelada, está sob meu colo. Estico as pernas, cruzo os braços e espero. Não sei quanto tempo estou aqui, mas estou seguro de que não faz muito. Não sei se estou esperando o metrô passar ou qualquer outra coisa. Só tenho esta noção de que estou aqui.
“I look at my watch” – Smash mouth invade o mp3 player. “… And our time has been stolen…”. Abro os olhos pela primeira vez em cinco minutos. Meu tempo foi realmente roubado ou fui eu que roubei? E que segredos são estes meus os quais nem eu sei?
Acho que nada disso importa.

Vejo estrelas ofuscadas por fumaça. As vezes me pergunto se isto é justo. Olho ao redor, ninguém parece se importar. E esse tic tac que me persegue já está me dando nos nervos. Jogo o relógio de pulso no lixo. Sinto um alivio.
Não me sinto mais preso. Queria poder resolver mais pendências desta forma.

O Sol está se pondo, mas logo a Lua vem. E então tenho a prova de que, até nos momentos mais escuros, sempre tem uma luz. No meio de tantas pequenas azuis há uma grandiosa branca. Isto muda tudo.

Fecho os olhos. Ainda posso ver o reflexo do Sol poente em minhas palpebras. Isso me conforta, me aquece.
Sinto cada batida do meu coração. Estou vivo. Portanto, ainda me resta tempo. Ainda posso mudar. Ainda posso experimentar. Ainda posso o que quiser, por que essa nova chance me foi dada hoje, assim como ontem, anteontem…

Pois não importa quanto se passou. Sempre dá pra recomeçar.

Acorda tu! O despertador já soou.

O despertador soou alto, por muito tempo. Mesmo assim, foi difícil abrir os olhos. Demorou, até que abri-os e me espreguicei.

É tempo de quebra de ideias. É tempo de novos almejos. O novo se torna curioso. Isso me amedronta, às vezes, embora pense que o medo é pura perda de tempo.

No final das contas, isto é o significado de acordar. É aceitar novos desafios, buscar novos sonhos. Se abrir os olhos bastasse…

Este é o momento. Esta é a hora. Não vai ter como voltar atrás.

E eu farei questão de não fazê-lo. Por que foi isto que prometi. Foi isto que vim fazer aqui. Desta vez não vou falhar.

Bifurcações

Nossa vida é feita de escolhas. Todo dia fazemos centenas delas. Sempre em nosso caminho nos depararemos com bifurcações, assim como árvores. O tronco é um só, mas possui inúmeras ramificações. Todo galho, independente da altura, carrega o mesmo destino; gerar folhas e frutos.
Não existe certo ou errado. Se ao final houver fruto, este conceito de acerto ou erro depende apenas de você.