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A caixinha de Pandora

A verdade é que a vida é muito mais do que sequer imaginamos. Nos prendemos nos detalhes, quando o segredo é ver o macro.
Todas as desilusões ou dificuldades servem apenas para nos deixar mais fortes e não mais desesperançosos. E o que não depende de nós, que deixe de pesar tanto.
Carregamos fardos desnecessários na tentativa de forçar situações. O que não há de ser moldado por nossas mãos, deixe que seja moldado por quem deve moldá-lo. E na decisão, não consulte apenas a cabeça, por mais que o momento peça isto. Ao menos ouça o que o coração tem a dizer e tenha ciencia do que sente, e respeite isto.
A luz que tem iluminado seu caminho sempre foi sua, acredite. E você está sim preparado para o que der e vier.
Assuma seus riscos, enfrente as consequências das suas escolhas e se ouça mais. Ninguém melhor que você mesmo para entender todos os segredos desta caixinha de pandora que você tem.
Se permita discordar de si mesmo. O conflito interno só nos faz ampliar nossa própria visão, descondicionar pensamentos e analisar nossas próprias ações.

Nem sempre seremos coerentes nós mesmos. O segredo está apenas em como lidar com isto.

O “X” que Brilhou

Antes mesmo que o despertador tocasse, eu já escutava atento às gotículas de chuva que caiam há 30 minutos.
Plic, ploc. Sinfonia de quintal. Alerta de memórias.

Naquele exato instante as palavras não me faltaram. Conseguiram traduzir cada sentimento que se expressava em meu peito.
Meu sorriso ficou mais atento.
A respiração fez mais sentido.

Foi a luz do meu próprio brilho.
Foi a paixão em mim…
Não foi a chuva que me acordou, nem a insônia que me roubou o sono.

Foi hoje que o complicado se desfez. Que as algemas se quebraram. E que o cinza ficou colorido.

Ao contrário do que esperei, foi no dia de hoje que vi o “X” do meu mapa brilhar.

A Jornada mudou seu rumo, apesar da estrada ser a mesma. Não tenho pressa de chegar ao final dela. Tenho apenas ganas de fazer todo o percurso mais bonito.

Mas isto, só depende de cada um.

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O conflito

Eu fechei os olhos por alguns instantes e pisquei. Ainda estava no mesmo lugar.
A cama, macia, provia muito mais que descanso. Era sobre ela que tinha os mais diversos tipos de diálogos. Estes os quais ninguém nunca sequer imaginou que pudesse ter.
Ao meu redor, a escuridão me consumia. Não via nada claro, apenas formas incompletas das coisas.
Eu queria poder fazer muito mais do que estava fazendo, esta era a verdade. Não era um sentimento qualquer. Eu realmente queria ajudar, talvez mais a mim do que qualquer um.
Então eu lembrei. Lembrei de cada conversa que tive. Recordei todas as ideias que expus. Notei que elas foram monólogos com respostas fabricadas.
Eu suspirei. Olhei nos seus olhos. Algo nascia com o brilho deles e morria com as verdades que eles me contavam.
Eu ri. Eu gargalhei. Voce me acompanhou sem entender.
Dei um murro em seu rosto. Um som de cristais partindo-se ecoou e você quebrou em pedaços. Minha mão se cortou com o golpe.
Foi a primeira vez que te enfrentei. De frente. Eu tinha que estar em sintonia contigo para que se encaminhasse o que tivesse que encaminhar. Eu te ouvi mais e falei mais.
E cada folha do calendário que caiu me deixou mais próximo de você.
Sem mim, não há você. Sem você, eu não existo.

Uma nova batida nasceu em meu peito. É um renascer, eu sei disto.
Muita coisa vai mudar. Muito do que era já deixou de ser.

Use as armas que tem. Construa o que tiver que construir.
Deixe tudo para hoje.

Por que amanhã, haverá novas armas. E as habilidades que você precisará para manejá-las só dependão de você.

Lembre-se disto em cada pôr-do-Sol. Ele pode ser seu primeiro. Ele pode ser seu último…

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O discurso Interno

Uma nuvem negra cobria meus pensamentos. O caos se instalara na mente sem nenhuma intenção de sair. No peito, latejo e agonia.
Fechei os olhos por alguns instantes e me observei. Que bloqueio era este que se formara?
Senti o coração pulsar desesperado.
Pedi calma a mim mesmo e respirei fundo.
Como se num pronunciamento nacional, todas partes minhas pararam para ouvir atenciosamente o que eu tinha a dizer.
Enchi o pulmão de ar e subi no palanque. Havia uma grossa camada de poeira cobrindo o mesmo. Não conseguia me recordar a última vez que havia feito isto.
Silêncio. Todos me olhavam com ternura.
“… Eu…” – houve uma breve pausa – “Eu não sei por onde começar” – sorri sem jeito.
Todos aplaudiram aquelas 6 palavras que pronunciei. Me emocionei.
Olhei brevemente para a platéia. Quanta gente nova ali. Quanta gente mudada. Como é que não havia me dado conta antes?

Durante todo o discurso, expus fatos, angústias, medos, despreocupações, etc… E ouvi atento o que cada um ali tinha a dizer.
Não sei quanto tempo fiquei lá, nem quantas horas posteriores tomei absorvendo cada ponto de vista que me foi dito.
Quando percebi, não havia mais nuvem cobrindo nada. O coração estava tranquilo novamente.

No momento em que me despedi, virei as coisas para a platéia sem uma promessa de retorno e desci do palanque, eu entendi:
Antes de qualquer consulta do lado de fora, devemos nos escutar. Ninguém melhor do que nós mesmo para compreender o que nos passa. Se não há entendimento interior, não há compreensão externa.

Ainda me lembro de cada sorriso que vi, de cada aplauso que escutei e de cada opinião compartilhada. Ainda lembro cada olhar e cada sentimento que se espalhou no meu peito.

E pela primeira vez notei um Sol nascendo em mim…

Espinhos do Caminho

Como podemos pedir por compreensão se nem nós mesmos nos entendemos? Como esperar uma ação alheia se nos mantemos no mesmo lugar? Por que se atentar a pequenos detalhes, quando o todo é o que vale mais a pena?

E quando nos pegamos deitados assistindo as sombras do quintal projetadas no teto, rodando na cabeça os mais diversos pensamentos, os quais sequer imaginamos que teríamos um dia.

Por que nos irritamos tanto quando alguém nos encosta? Será que o íntimo se reduziu a tão pouco? Por que se insiste em se ver preto e branco quando tudo ao nosso redor respalda cores?

Sorri pra mim.

Mostra teu interior e te liberta!

Não há mais o que temer num lugar onde as pessoas fazem até do Amor algo banal.

Abre os olhos. Desperta a paixão que há em ti.

Taca-te fogo a ti mesmo.

E renasce outra vez.

Desviei-me de cada espinho que encontrei em meu caminho com medo de me machucar, na esperança de encontrar o ideal, aquele que seria desprovido de ponta. No entanto, mesmo com os maiores esforços, não me preveni de me ferir. Colecionei as mesmas cicatrizes que desviei.

Hoje não me nego. Hoje arrisco. E cada nova marca que adquiro, é só mais uma lembrança do que me fez mais forte.

Por que não importa quão cedo ou quão tarde aconteça: Depois do Despertar, o Mundo nunca mais é o mesmo.

 

No olhar

Guardo no olhar todas as coisas que vivi
Todas as coisas que encontrei
E todos os Sóis que perdi.
Hoje acordei me sentindo um pouco diferente
Algo no peito que o pressiona intenso
Algo incomum. Um corpo estranho em mim.

Abro mão, neste exato momento, do meu orgulho
E de qualquer falta de humildade.
Agradeço o que tive e o que deixei de ter.
Reconheço, agora, o momento.
Entendo, por fim, que o que não compreendi não foi feito para que se entendesse.

Deixo as mágoas para trás
Me respaldo de emoção e me dou novamente uma chance para viver.

Todas as lágrimas que não derramei
Foram apenas sonhos que não cumpri.
Almejos intangíveis que cultivei
Mas que me ajudaram a chegar onde estou.
Hoje mesmo lhes dou adeus e abro espaço para o que vier.

Não importa o que ainda está por vir ou o que deixou de estar…
Se o Coração está aberto, tudo é possível.

Corações

Às vezes ficamos entorpecidos. Esperamos sentir um leque de sensações, quando, ao contrário, não sentimos nada.
Haverá momentos os quais o que mais se quer é rasgar o coração velho, começar do zero e ver essa bomba de sangue crescer mais uma vez.
Você pode até se assustar, mas a verdade é que você possui muitos corações, um para cada tipo de amor que tem. Estamos em constante mudança, eles também.
Basta que um se vá para que outro já venha. Não tem hora, nem lugar. Simplesmente acontece.
E dizem, também, que é o tempo que cura tudo.
Mas o que é o tempo e por que ele é tão relativo?

Tem vezes que eu não quero mais pensar. Mas não passa um segundo, volto ao meu mundo. Renasço e tudo começa outra vez.

Por que basta um sorriso qualquer ao meu redor para que eu volte a entender: a vida definitivamente vale a pena.

O Medo

O Sol vem e vai. A Lua sobe ao céu e desce. Ciclos se iniciam e terminam a todo momento.
O mundo movimenta-se num ritmo natural. Ninguém percebe, mas está tudo ali, acontecendo a cada instante.
Ninguém quer arriscar. Todo mundo quer ficar sempre na ponta do penhasco. Sempre “a ponto”, mas nunca “enfim”.
Enquanto o medo e as projeções forem os alicérces do teu hoje, a tua busca pelo mais será sempre no amanhã. Vive o que tens que viver. Por favor, para de olhar o relógio. O tempo é teu e de mais ninguém.
As flores caem, as folhas secam e outras nascem em seu lugar. A árvore continua inteira. Por que não é o exterior que a influencia. Ela que dita as regras de quando é hora de começar do zero.
O controle sempre foi teu. Os sorrisos que roubaste vieram de teus méritos. Então pára disto.

Mas pára logo… Cada segundo passado é uma grandeza que o tempo levou e que nunca vai voltar.

Quem foi que disse?

Quem foi que disse que precisamos de alguém para ser feliz? Quem foi que disse não há mais tempo e que começar do zero é sempre dor de cabeça? Quem foi que disse que você não deve sonhar?
Vamos parar um pouco a rotina e analisar, friamente.
A felicidade (e cada um tem a sua) está dentro de si próprio. Você é feliz por natureza. O fato é que esta noção vai se perdendo no decorrer dos anos, quando se “amadurece”.
O problema aqui é que amadurecer, para muita gente deste planeta, significa matar crenças, desacreditar. Basta uma criança dizer que não acredita em papai noel para que seja vista como pré-adolescente.
Isto não é crescer. Adulto não é ser incrédulo. Adulto não é “deixar na mão de Deus”, levar com a barriga, ser estável.
Adulto é se conhecer, é ser ativo na própria vida. É deixar de assistir e começar a atuar.
Se vemos por este lado, seguro que notaremos que ainda somos crianças, e que tem muito pouco adulto neste mundo.
Quando se está preocupado demais pensando no que a sociedade vai achar de seus atos (não ilícitos, por favor, por que ainda vivemos em uma sociedade, ou algo próximo disto), deixamos de ter experiências novas, de dar a nós mesmos novas perspectivas.
Faça o que tiver que fazer, mas faça.

Viva, pois a vida é uma só e você é o único responsável por fazer dela a viagem mais proveitosa de todas.

A súplica de uma mente sem palavras

Por dias tentei achar as palavras certas para poder explicar o que estou sentindo no momento. Desde então, cada linha que escrevi tem sido rejeitada por mim mesmo. Nenhuma delas conseguiu, ou consegue, hoje, dizer o que quero passar.

Os sentimentos estão aqui, e eu sei disto. Mas não consigo expressá-los, nem para mim, nem para ninguém. E sim, sim. É difícil imaginar tudo isto. Quando me dei por mim, havia um bloqueio. Este que não me deixava transceder minhas próprias barreiras. Meus atalhos já não estavam mais funcionando. O jeitinho que dava em mim mesmo deixou de ser efetivo. Não houve razão.

Foi aí que as coisas começaram a mudar. Primeiro por mim. O interno teve que passar por modificações. Sem este passo, não teria as novas perspectivas que tenho. Não reformularia ópticas, conceitos.

Foi um dia que vi diferente. 24h que mudariam minha vida. Foi quando desentendi que comecei a entender.