Hoje sinto que as coisas foram um pouco diferentes. Ao abrir os olhos, senti algo diferente no peito. Um alívio. Não sei de onde.
O céu, para meu espanto, estava azul.
O horizonte desbotava seu alaranjado enquanto o Sol seguia seu caminho para cima, como todos os outros dias. “Achei que fosse chover” – penso. Mas logo me perco em um turbilhão de outros pensamentos e sentimentos.
Apanho meu tapete de yoga e começo um rápido aquecimento. Esticar os ossos agora faz parte da rotina para a manutenção de um instrumento já não tão jovem, mas tampouco velho. Enquanto mantenho um alongamento, respiro fundo e fecho os olhos. A luz do Sol invade o espaço e enxergo laranja ao invés de preto. Um morno calor abraça a pele, o que reconforta o incômodo causado pelo exercício.
Acho que era para eu estar de cabeça vazia agora, mas ela segue criando cenários, situações e falas desconexas. Tento focar em inalar. E exalar. Isso ajudar um pouco.
Dentre as milhares de possibilidades, o hoje é um resultado da soma de infinitas variantes de ontem e anteontem e o dia anterior. Cada escolha me trazendo ao aqui e agora. Na mesma lógica, o amanhã, com certeza, será o resultado da soma de hoje. Isso me assusta, apesar de óbvio. Me afundo nas incertezas do que fiz e do que poderia fazer.
Finalmente o silêncio invade a mente e se estabelece. Há uma certa desconexão. Erro 502, ou talvez 522.
Suspiro.
Por mais que eu reinicie o cliente, a natureza do erro vem do servidor. Não há muito que eu possa fazer, honestamente. E mesmo com tal constatação, me sinto sem poder.
Abro os olhos e volto ao agora. Da janela, vejo as folhas das árvores florescerem aos poucos. A primavera já chegou e, com ela, pigmentos vibrantes colorem a natureza, trazendo a promessa de dias menos monocromáticos e mais quentes.
Talvez o 502 e 522 continuem se apresentando. Sabe-se lá até quando. Quem sabe nunca se resolvam.
Respiro fundo e me levanto. O relógio se aproxima das 8 e é hora de iniciar mais uma jornada de trabalho.
O dia começa. Quiça com as mesmas escolhas. Quiça com pequenas nuances. Mas seguro com o mesmo nível de incertezas.
E vago, como as nuvens no vasto céu. A caminho do desconhecido e, contudo, com a esperança de um destino fixo.
É que não há passagem de retorno.
A direção foi, é, e sempre será única.
Adiante.
Sempre.