Apesar de já estar na cama há quase duas horas, o sono passou de raspão. Me permitiu um breve descanso antes de desaparecer de vez.
Já passou da meia noite e minha perspectiva de 8 horas de sono (que, honestamente, sempre foi apenas uma promessa pessoal quase nunca cumprida) está, de certo, fadada ao descumprimento.
O coração palpita forte, ou só queima, não sei diferenciar. Esofagite ou ansiedade? Sei lá. A mente já está processando outros pensamentos que mal posso pôr em ordem ou sequência lógica.
“Desliga um pouco!”, exclamo/reclamo, mas a cabeça segue sua labuta incessável como se não tivesse mais nada para fazer. E tem? Dormir é um luxo para poucos.
Embora seja um descanso para meu “eu” consciente, na prática os miolos nunca param: alguém tem que desenvolver todos esses sonhos malucos que tenho nas 2 horas de sono diários. De certo James Cameron não se apeteceria dirigir um sonho meu: Seu tempo seria escasso demais.
Quando finalmente abro os olhos, já cansado de tentar adormecer, observo o teto e tento decidir se sua cor branca, na escuridão, se aproxima do cinza chumbo ou azul marinho. Qualquer coisa que faça o tempo passar.
O queimar do peito passa, mas a respiração ainda se apresenta desregulada. Tento nomear esse desconforto. O que me mantém desperto, afinal?
Como se num rio estreito, num kaiak aconchegante, navego observando suas margens, tentando decifrar sua profundidade, e seguramente seu destino. A que rumo me leva? Tenho algum controle, sequer? Posso manipular a velocidade? A direção?
Às vezes, sinto que não conheço esse recinto. Outras vezes, é como se eu que não estivesse em minha própria pele. Talvez por circunstâncias diferentes, ou quem sabe isso é apenas reflexo do dinamismo da vida?
Sem resposta (e sem sono), vou observando o teto. Os olhos vão se cansando e minha única esperança é que, quando se escondam atrás das palbebras, tratem de convencer a mente de se desligar.
Pouco a pouco a respiração vai se acalmando e me perco nos pensamentos até que suas imagens não passem de mensagens desconexas que se misturam e se transformam numa vaga consciência que se apaga sem deixar rastros.
Isso até que o alarme desperte e mais um dia se inicie. Até que nem isso.