Sentado num banco, balanço os pés livremente assistindo o dia entardecer. O horizonte se estende adiante, separando o céu e o mar de forma sutil, quase deixando que os dois se mesclem. Nuances de laranja e rosa tingem pontos específicos do céu.
O som das ondas se aproxima, indicando que a maré já está subindo. Sei que preciso partir mas me espreguiço e aguardo até o último segundo. Molho os pés sem querer, mas não me incomoda. A temperatura do ar já não está mais tão agradavel e decido me agasalhar.
Sem perceber, noto que a Lua já se instalou em seu recanto, iluminando o caminho a frente. Tenho vontade de descansar e admirá-la, assim como as estrelas ao seu redor, contudo o tempo é curto e preciso retornar.
Conforme sigo adiante, cada passo a frente se torna pesado. A visão fica turva e já não sei se por vertigem ou emoção. A respiração se torna lenta e profunda. “Tá tudo certo”, repito. E sigo. Passo após passo.
Olho para trás e vejo momentos congelados; memórias de um passado não muito distante. Sorrio e me conforto. Aceno e volto a olhar para frente. Suspiro. Há muito mais por vir em um universo de possibilidades que se desdobra adiante.
A noite termina e o ar começa a se aquecer de novo. Bulbos surgem nos galhos das árvores e vão se abrindo lentamente, indicando que a primavera já está por vir. Os dias se esticam e preenchem quase que todo o meu tempo acordado.
Não sei quanto terei de esperar, e como detesto fazê-lo, mas aguardo.
Enquanto o coração se ajeita, buscando achar uma posição confortável, mantenho os pés em chão firme.
Miro adiante, quase que sem piscar, e sigo. Um passo após o outro, cada repetição com menos pesar. Tão focado em não prestar atenção que meus movimentos se tornam automáticos.
Rumo ao desconhecido, vou indo, observando o florescer das flores e à vida que pulsa ao meu redor.
Um passo após o outro. Sem parar.
E o melhor…
O melhor está por vir.