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Do alto, a cidade parece estática apesar do piscar frenético das luzes das ruas.

Durante a madrugada, as ruas parecem em paz. Carros não passam. Calçadas vazias. 

A ausência de som intriga.

Olho para o céu e a falta de estrelas me incomoda. Queria poder ver mais delas, mas vejo muito, muito pouco.

Do trigéssimo nono andar, o olhar alcança um horizonte mais logínquo. Tão longe que quase deturpa. Vê-se em demasia, penso, mas sem detalhe ou nitidez. Pergunto-me de quê adianta. Não tenho resposta.

O silêncio da noite me abraça. Às vezes, me larga com o zumbir do umidificador. Contudo, nunca tarda muito a retornar assim que meus pensamentos inibriam os sentidos.

Fixo o olhar na fila de luzes verdes dos semáforos que se estendem por uma comprida avenida em frente à minha janela. Estes liberam o fluxo de um tráfego neste momento inexistente. Não questionam seu ofício. Apenas cumprem seus papéis. 

Acho curioso, mas não julgo.

Hoje já é amanhã. E a verdade mesmo é que preciso ir dormir.

Reluto. É que descansar a cabeça no travesseiro já não me traz o sono. E os sonhos que sempre esperei sonhar já não fazem tanta falta assim.

Respiro baixinho e tento acalmar a respiração. Uma fome bate, mas não é prudente comer agora.

Abro os olhos uma última vez e noto que nuvens cobrem toda a cidade, escondendo as estrelas e a lua.

Antes que pense em reclamar, as palpebras pesam e a mente se desliga. A escuridão do quarto me envolve e minha consciência se perde outra vez no labirinto de seus segredos.

Isso até que se encontre, uma vez mais… Cumprindo, satisfeita, a promessa de um novo dia.