Desmergulhando

Foi como emergir de um profundo mergulho, já quase sem ar.

O primeiro fôlego veio abrupto, seguido de um longo suspiro.

A visão deixou de ser turva e passei a ver tudo com clareza.

O céu, totalmente fundido no mar, tingia todo o meu redor em uma gama infinita de azul.

Derivei um pouco, de olhos fechados, sentindo o sol aquecer todo meu corpo.

Mil imagens, palavras, sons e sensações tomavam conta daquele momento. Meu corpo todo formigava.

Pensei que fosse derramar um mundo. Mas a verdade é que reencontrei um mundão em mim.

E foi aí que eu me senti tomado por uma tangível calmaria ao invés de qualquer outra coisa.

Foi um caldo daqueles! E como foi! Lindo, profundo e muito, mas muito gostoso.

E eu me encontrei lá no fundo. Nas profundezas das minhas entranhas, eu estava lá! Uma faisquinha que se tornou um clarão forte demais para ser ignorado.

Com tal luz, a minha luz, aquecendo minha alma, voltei à superfície.

Observo meus pés balançarem enquanto me mantenho emergido. Respiro fundo. Sorrio.

Mas confesso, não vou mentir… mal voltei e já olho o fundo do mar brilhar esperando, com a maior gana do mundo, um novo convite para ficar por lá.

E quem sabe não calhe um dia… de eu ficar por lá até meu mundo acabar…

Oxalá. Sorrio.

Oxalá.

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