Quando despertei, minha consciência teimou em acreditar que era segunda-feira.
Devo mesmo levantar? – perguntava a mim mesmo antes de fazê-lo.
O vestir-se e o andar foram automáticos.
Já no escritório, mantive algumas das luzes do andar apagadas e reclamei sozinho o fato do ar condicionado não estar ligado.
Abri a janela. A claridade de fora formou um feixe de luz pousou sobre minha mesa. O som exterior, antes abafado, agora também invadia o ambiente.
Um zumbido chato, talvez do ar condicionado do prédio ao lado, rondeava a cabeça como uma névoa densa e elástica.
Logo esqueci dele.
Assisti ao clarear do dia através daquela janela.
Um mundo todo acontece daquele outro lado enquanto vivo num mundo particular aqui dentro.
Hora estou lá fora.
Hora estou acá dentro.
Quando percebo, o escritório já está cheio de gente. Deixo de estar sozinho, mesmo que artificialmente.
As vozes e os tiques dos mouses e teclados alheios me engolem. Nesse momento, já não presto mais atenção em mim. Minha respiração não é mais meu guia.
A cafeína do café com leite bate no estômago como uma bomba apesar de tardar um pouco até fazer o devido efeito.
Olho o relógio ansioso, mas não espero pelas 17, não.
Cada minuto se esvai lento.
E lento que só ele…
Ele há sempre de tardar.