Debaixo de um Sol escaldante, caminho por entre dunas dum deserto lentamente. Há um cantil de água com metade de seu reservatório preenchido pendurado na cintura. Sei que logo esse recurso vai acabar.
O corpo é protegido por panos negros que balançam com preguiça na mesma intensidade dos ventos que mais aquecem do que refrescam.
Após algumas horas, ou minutos talvez, vejo meu Oasis. Um lago de águas cristalinas se mostra a alguns metros adiante, rodeado por um par de palmeiras e uma confortável sombra.
Os pés e pernas se apressam e posso me ouvir grunhir baixinho. Não sei se pela felicidade ou desespero de ver aquilo. Cambaleio para um lado e para o outro, mas sigo em direção reta rumo àquele lindo laguinho.
Cada passo para frente reflete em um afastamento físico visível do meu paraíso. Mah que cazzo, reclamo, e sigo cambaleando, o lago fugindo em mesma velocidade.
Após alguns minutos, paro. Paro e, sentindo o peito pular com força, choro. Muito. Loucamente.
Abro o cantil e, com peso, tomo um gole da água quase fervente que me resta.
O Oasis desaparece.
A mensagem é clara. Estremeço. Respiro fundo. Sigo a caminhar.
Horas depois, quando a mente já se faz fraca novamente, mais uma vez vejo aquele atraente lago se materializar a metros de distância.
Dessa vez, diferente de antes, sorrio. Encho os pulmões de ar e sigo meu caminho, sem desviá-lo por causa do lago.
Após chegar no topo de uma grande duna, vejo um vilarejo. Tomo o último gole de água que me resta e, diferente do lago, ele não some.
Por um triz. Penso.
Por um triz…