Nosso último danúbio Azul

Quando abri os olhos, vi tua figura olhando para mim. Teu sorriso era diferente; sincero e alegre, tinha, também, um quê tristonho. Era nosso adeus, por isso, não podia ser de outra maneira.

Posicionei-me ante a ti e, à melodia de Danúbio Azul, dançamos nossa despedida.

Foi a primeira vez na vida que não pisei no pé do meu parceiro. Como de praxe na maioria dos sonhos, ambos dominávamos os passos, nossos corpos entrelaçados movendo-se com graça no salão.

Ao final da música, nos distanciamos, os dois sorrindo um para o outro. Não houve troca de palavras; a comunicação ficou a cargo da linguagem corporal. Nossos olhares e gestos expressavam tudo o que as palavras que queria dizer podiam expressar.

E num virar de corpo, parti-me sem olhar para trás.

Talvez tenhas acenado. Ou talvez não.

A verdade é que eu nunca vou saber.

O sorriso ainda estampa o rosto.

Mas…

Quiçá não seja o mais sincero de todos.