Primavera Inversa

Ao som de Budapest caminho em direção à estação de trem cabisbaixo. Apesar do sol forte esquentando o corpo todo, sinto meu interior frio, gélido.O coração, em carne viva, bombeia o sangue com preguiça e cansaço.

Como se em uma primavera inversa, assisto a recém flor desabrochada perder sua primeira pétala. Ainda há muitas, mas já é possível notar a opacidade indiscreta crescer e se espalhar nas remanescentes.

Ansioso, boto a mão no bolso aflito. Suspiro em alívio. Ainda há um saco cheio de sementes.

Uma há de vingar.

Sei que uma vai vingar.

E no sabendo sem saber só me resta a fé.

Fé de que tudo, já já, vai ficar bem.

:’)

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