Luz e Esperança

Quando desci do carro, já sabia: aquela seria minha nova rotina; idas e vindas preenchendo cada espaço vazio que encontram no caminho. As conversas tomariam o mesmo curso e me levariam ao mesmo final. Os sentimentos se revirariam como se batidos em liquidificador e… Bem… A troca aconteceria na esperança de ser justa o bastante para ambas as partes.
Não vou dizer que é totalmente natural, porque ainda não é. E, enquanto a poeira não assenta por completo, observo-me através de uma nova perspectiva, ainda que prematura. A questão, diz-se por aí, é de tempo e de costume.
A porta está entreaberta. Eu estou dentro da sala. Não me arrisco sair, tampouco tenho coragem de deixar alguém entrar. Ela se abre, às vezes, e tenho a impressão que alguém passará por ela… Mas… Do que eu estou falando, mesmo?
Respiro fundo e sinto o oxigênio alimentar cada célula minha.
Relaxo os músculos, mas ainda sinto contrações.
Os sentimentos se encavalam e coleciono novas sensações. Perco-me nelas profundamente.
Imerso, mergulho num universo totalmente diferente em busca do que ainda não sei encontrar. Dedico cada braçada ao pequeno ponto de luz que enxergo quilometros a frente.
E num ponto deste trajeto, vejo-me sorrir: eu não sei o que há do outro lado. Não tenho ideia, mesmo. Mas cada batida me deixa mais próximo do que quer que esteja lá.
E que se há luz… Há sempre esperança.

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