O corredor e um emaranhado de Portas

Às vezes, vejo-me no meio de um longo corredor repleto de portas. Conforme caminho por ele, ouço diversos cliques de travas se abrindo. O som se traduz em uma permissão: significa que posso me aventurar por elas.

Não abro todas as portas destrancadas. Às vezes, por medo. Outras, por despreparo. Muitas pois não percebo que estão abertas. Não paro nunca. Sigo abrindo-as e descobrindo seus segredos.

O mais difícil, contudo, não é explorá-las… É saber o momento certo de fechá-las.

Algumas se fecham sozinhas. Entendem, por si só, que sua missão está cumprida. Às vezes, sorriem ao dizer adeus. Outras, só acenam e se trancam.

As que precisam de um empurrãozinho… Ah! Essas machucam. Suas dobradiças costumam estar enferrujadas e emperradas. O esforço é sempre grande. O pior dos males, entretanto, é não saber quando poderemos revisitar o universo que nos oferecem.

Caminho por um corredor repleto de portas. Já não sei as que abri, tampouco as que vou fechar.

Sigo abrindo e fechando. Sorrindo e chorando.

Brilho e ofusco.

Sigo. Só sigo.

Sinto-me repetitivo. Refiz demais. Repeti demais. Corri a mesma maratona, mesmo sabendo o que me aguardava na linha de chegada.

Vejo sonhos nascendo e outros esmaecendo.

Cada lágrima, seja de alegria ou de tristeza, são enchurradas de emoções transpostas ao mundo tangível. Provam a existência do que está oculto dentro de nós. São guias como um feixe de luz que brilha no fim do tunel mostrando-nos o caminho.

Perdi-me no corredor. No corredor, eu me perdi.

Há portas que não querem abrir e tantas que não querem fechar.

Um clique é o que basta. Pode significar um início, como um final. Depende da porta. Depende do momento.

Mas é um clique. Singelo e puro como o sorriso de uma criança.

Um clique. É só isso.

É o que basta.

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