Era uma simples tarefa: deixar em ordem a caixa de entrada do e-mail pessoal. Simples, porém complicada – havia mais de 4 mil itens que precisavam ser armazenados em pastas ou excluídos. Mensagens datadas desde 2009 sortidas entre pessoais, spams, recibos eletrônicos de lojas online…
Conforme retornava no calendário e checava e-mail a e-mail, hora e outra se formava um sorriso. Às vezes, uma agonia.
Eu me via sentado ali, numa cena já passada. Agora revisitada. Um eu de alguns anos. Algum tempo, apesar de nunca o quanto aparentava.
Dentre desabafos, discussões, trechos de textos que publicaria mais tarde neste blog, nos sorrisos e desaprovações, disparei novas respostas. Um oi contente aqui. Um olá desajeitado ali. Todos provocando um certo frio na barriga ao apertar o botão enviar. Tanta gente que já não falava há anos. Tanta nostalgia nos episódios vividos com cada uma.
Um suspiro e um último sorriso.
Me remeto ao presente outra vez. As paredes ao meu redor parecem mais velhas. Não é um fato. É só minha impressão.
Nenhum e-mail retornou. Mas a vida seguiu como já havia seguido tempos antes.
Reler um capítulo nunca é revivê-lo. Nunca será. Uma vez fechado, não passa de memórias que ficam cada vez mais vagas.
Contudo, ele está lá. Não se apaga por nada neste mundo.
É que não importa qual foi seu desfecho. É um pedaço da sua história…
E sempre fará parte de você.