Eu parto hoje. Parto manso, de fininho. Não sei quando vou voltar, mas sei que devo partir.
Os meus passos deixam sinais. Pegadas de uma existência que se mantém viva enquanto a memória é quente. Ou enquanto ainda é morna. Mais provável que até quando estiver fria.
Quando eu me for, lhe oferecerei um abraço. Não vou dizer que é o último, mas vou deixar um pedacinho meu com você, porque sei que você vai guardar com carinho.
Não preciso pedir para que não me esqueça, tampouco para que não pense em mim de vez em quando.
Onde quer que eu vá, e onde quer que eu esteja, vou me lembrar de você. Porque você é parte de mim. E eu sou, inevitavelmente, parte de você.
Isso nunca vai mudar. Mesmo que eu parta.
Parta manso, de fininho…