Umas Dúvidas

No momento no qual empilho minhas ideias e começo a escrevê-las, instantaneamente me surgem dúvidas. Vários pontos de interrogação circulam minha cabeça como moscas silvestres no verão.
Eu tenho perguntas novas a cada segundo. Eu cavuco e procuro. Eu as espanto. Eu busco sentido no que nem sempre tem e com isso nem sempre chego onde quero chegar.

Às vezes, agora mais frenquente que antes, meu coração se inquieta. É como se ele quisesse me lembrar que também tem voz. Ele nunca me deixa esquecer disso, nem mesmo quando quero.

Num duelo paralelo no qual duas linhas de raciocínio disputam a liderança eu decidi me sentar bem ao meio, no muro que divide os territórios das duas. Eu assisto tudo de longe, com certa precaução. Quase não me vejo ali, apesar de saber que em algum momento terei que intervir de alguma forma.

Digo a mim mesmo “Não há vencedor onde não deve haver disputa”. E vou repetindo até que a sinapse se complete por inteira na cabeça.

E então me ocorre o fato de que há um elo forte, como um eixo de diamante, que interliga estas duas partes em mim. Uma não vive sem a outra. Quando não existe esta dualidade, não há dúvida. E sem esta, não há nada.

Não é um paradigma, é algo bem maior que isto. E se fosse, não importaria mesmo assim. Nem tudo se dá nome. Nem tudo quer ou tem de ser nomeado.

Nem tudo precisa ser codificado na linguagem do “sistema”. Ser parte dele não significa sê-lo.

E parece que tudo fez mais sentido a partir daí.

Eu me reviro nas dúvidas. Eu as quero ali.

É que enquanto elas existem… Enquanto elas estão ali, tudo me faz mais sentido.

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