Um dia de Outono

Não fazia três meses completos de calor e já chegavam os dias indecisos, carregando consigo manhãs sempre quentes e as noites frias.

O vento gélido que colide nas bochechas me remete a lembranças igualmente indecisas. Fragmentos de momentos aconchegantes de uma caminhada sozinho a tarde e os não tão agradáveis em viagens nas profundezas da mente.

É isto o que mais me fascina no Outono. Não é a temperatura mais fresca. É a dualidade dos dias. É o Sol do verão num céu límpido azul, batizado com o vento frio que anuncia o Inverno.

É o equilíbrio das balanças de dentro. O ajuste. A equalização.

Ninguém deve viver só de calor. Tampouco de frio.

Pergunto

O mundo está cheio de perguntas. Muitas sem respostas, outras ainda inexistentes. Incertezas que regem a vida e nos guiam em caminhos tortos e desconexos.
Qualquer seja a rota a seguir, seja lá onde vamos fazer a curva, o que precisamos para mantermos os passos firmes?
Quando sua história é sua e não a que contam para você? Quais objetivos temos que completar para carregarmos a placa do sucesso travada no peito?
Quão mais longe estas perguntas perduram, mais surgem novas. Mais inquieto fico. O que perdemos para conquistar o que nos é ditado? Qual o valor mensurado dos esforços? Nossos salários? O que faz das minhas duas horas pessoais tão importantes e o restante do dia tão monotono?
Às vezes, pergunto. Quase nunca respondo.
E de repente, uma tranquilidade incomum me sequestra.
É como numa chuva de verão: você corre com todas suas forças para sair dela, mas, quando se vê completamente molhado, para e se observa. A água, antes gelada demais, em poucos segundos te refresca e te conforta. Você se sente vivo de novo e relaxa. Seu corpo inteiro interage com o ambiente. A corrida cessa e você caminha agora. Não há mais pressa. Não há mais motivo para correr.

É só mais um fenômeno que te lembra algo… A simples razão de você respirar.