Dentre tantos textos crus e linhas desconexas, eu prometi a mim mesmo finalizar este punhado de ideias.
Era um acordo interno, firmado com as mais sinceras intenções e sem premissas protetoras. Era como um voto, daqueles de confiança mesmo, de cavalheiros. Era uma ambição, quase. Uma vontade de girar minhas engrenagens, fazê-las funcionar mais uma vez ao meu favor.
Rocei o polegar no indicador e depois nas têmporas. Respirei fundo e tentei ouvir a vozinha de dentro que me guiava um pouquinho aqui e ali quase que sempre.
A tentativa resultou em palavras incompreensíveis em gramática estranha. Eu já não falava meu próprio idioma. Me tornara um estrangeiro em mim mesmo, e, como é de se imaginar, tudo ficou mais difícil quando a comunicação deixou de existir no meu mais profundo interior.
Uma nova necessidade eclodiu do peito e se espalhou para o resto do meu corpo.
Era essa vontade profunda de passar uma mensagem que nem sabia o que era, de onde vinha e como iria combustar em mim. Algo simples, rústico, nascido de ideias inacabadas, sem pé, nem cabeça, sem um idioma definido. Sem definição própria.
Memórias se mesclaram em experiências independentes e numa crescente revolução interna que me confunde e turva minha visão. Apaga meus sentidos enfraquecendo minha percepção. Mas… Espere. O que eu queria dizer? Que mensagem quero passar?
É que eu tento juntar palavras. Dizer coisas que me fazem total sentido. Tento expô-las, mas fracasso. Soa estúpido, porém não passa de cômico. Me faz rir, às vezes. Na maioria delas, não.
E se você me perguntar o que tenho a dizer, eu vou dizer que não sei. Mas o problema nunca foi não saber, entende?