Eu sei que eu não me abstraio Disso

É o sapato igual ao do vizinho ou emprego dos sonhos que nunca chega.Talvez sejam as férias mornas e os cálculos incansáveis para alcançar um conforto sempre anos distante. É estar sempre no topo, mesmo que não esteja. Eu não estou muito certo do que seja.

Acho que é a rixa do querer e do poder. A busca pela resposta do quão podemos ou quão poderemos. O tesouro precioso que faz nossos olhos brilharem e nos arranca espasmos.
É o preço que pagamos enquanto tentamos entender a linha tênue que separa o que é querer e o que é poder. O puro reflexo da ilusão de que a resposta nos conforte de alguma forma e a não tão clara consciência sobre o nosso Hoje. É aquela velha história de que tempo passa e já não somos tão jovens. Aquele conto mal contado de que o relógio é precioso e cada segundo vale muito. Acredite, este “muito” vale absurdamente mais que qualquer grama de ouro.

Conforme crescemos, nos aprisionamos. Ao invés de nos mantermos mais livres, insistimos em prender nossos corações com seguranças ilusórias. A elasticidade se perde e a é a resposta violenta do corpo com músculos tensos proporcionada pelo simples medo de não ser que nos canta a bola. Algo está errado.
Mas calma. Não me entenda mal! Eu sei que eu não me abstraio de nada disso.

Que tipo de ser humano você pode ser se aos trinta não tiver uma carreira de sucesso e um apartamento maior que 50 metros quadrados num bairro nobre? Bom, eu já me fiz esta pergunta. E o fato é que minha resposta sempre flutua no ar. É loucura, eu sei.

Ora, passamos muito mais tempo querendo do que desfrutando. Realmente… Que diabos esperamos de cada experiência que almejamos viver quando ela foi planejada, mensurada, dissecada, aguardada e PAGA meses atrás?

É a constante luta para o fim de semana chegar logo. As cansativas horas de trabalho que se tornam insuportáveis quando nos damos conta que ainda faltam um par de horas para irmos embora.

É aquele sentimento coletivo da ostentação a qualquer coisa. Estamos sempre querendo, já percebeu?

É o simples fato de que deixamos de viver para almejarmos viver. Isto não é insano?
Mas ei.. Não me leve a mal, não. Eu sei que eu não me abstraio disso.

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