Um até Logo

Dizer adeus não é fácil. Despedir-se requer certas competências que nem sempre temos ou estamos preparados para ter. É a quebra de uma rotina que se atrela a um sentimento de perda. Contudo, uma despedida não precisa significar perder algo. Significa saber a hora de deixar partir…
Há momentos em que não escolhemos quando alguém vai sair de nossas vidas. Simplesmente porque às vezes não é de nosso escopo decidir isto. Quando este é o caso, o que cabe a nós é não só aceitar, mas também permitir esta ida.

Saudades. Querer trocar ao menos uma palavra e saber que esta possibilidade não existe mais. Lembrar-se de um sorriso que não pode mais se formar… E a nostalgia de uma tarde alegre com alguém que não está mais aqui.
Vozes e cenas se mesclam num filme que nos instiga ainda mais a não querer se despedir. Entretanto, se houver esta necessidade, simplesmente há, e não existe nada que possamos fazer quanto a isso.
Saudades. Não são memórias nem rastros de alguém que já não está em nossas vidas. São partes de um alguém que mantemos vivo dentro de nós.

Então, até logo… Fique bem.
E onde quer que você esteja, meu coração estará com você.

“Em casa, mais uma vez. De volta para onde tudo começou…” – Love is a fire / Courrier

O começo sem Regresso

Um novo começo não significa dar passos para trás.
Não significa passar a borracha em sua história, nem se esquecer das dificuldades que te fizeram maior.
Começar do zero significa usar aquela energia nova e reorganizar seu espaço. Reformar sem mudar suas raízes. Ou quem sabe mudar tudo, mesmo. Reconstruir. Mas sempre com muita calma e planejamento.
Os resultados não costumam ser imediatos. É comum que as coisas não aconteçam na nossa velocidade… Certas vezes, tudo passa mais rápido do que podemos processar, outras nem tão de pressa. O importante é que acompanhemos a inconstância que nossa vida representa e traduz todos os dias em situações diferentes.

Uma palavra. Um sorriso. Efeitos diversos. Reações sortidas. Só depende de como você enxerga o mundo ao seu redor. E digo mais: é você quem o constrói. Portanto, você também é responsável por mantê-lo em órbita. Vivo. Saudável. Você, ninguém mais.

Esta é a minha casa. A nossa casa. Abrimos a porta para quem e para o que quisermos, ninguém e nada mais. Acredite se quiser, somos responsáveis por quem somos, por como vivemos e reagimos aos estímulos externos.

Nem sempre você vai acordar com aquela vontade de mudar o mundo. Às vezes, as coisas não vão funcionar como você espera. O que difere o que isto vai refletir em você é como você gerencia o que não está sob o seu controle.
Uns chamam de maturidade, outros de consciência. Contanto que se entenda, acho que já é o bastante.

O reversivo Equilíbrio

O Sol cruza o céu de norte a sul. As folhas das árvores caem e secam enquanto outras renascem. Portas se abrem e se fecham. Nos embreagamos de vida e ficamos sóbrios outra vez. O tempo passa com a promessa de não voltar, porém regressamos ao passado quando nos convém. Os anos voam, sofremos mutações e mudamos. Vivemos mais, vivemos menos, e a incerteza do amanhã faz com que sonhemos com um hoje sempre mais ideal. Não importa onde chegamos, sempre queremos ir mais longe.
A vida ensina. Às vezes, a gente aprende. Nossos caminhos se torcem e se retorcem, o horizonte fica turvo. Não se acanhe, tudo sempre fica bem.
A gente chora. A gente ri. Nossos problemas se repetem, e vivemos muito ocupados nos ocupando para perceber o que quase sempre está na nossa frente. O óbvio nos irrita, mas nos esquecemos que a vida é óbvia.
Somos inocentes. Somos perversos. Somos tudo o que rejeitamos no outro. Somos Amor, apesar de pendermos à Dor. Somos humanos. Somos.

Há luz em todo ser vivo. Brilhamos a todo instante. Muitos têm medo de se ofuscar na luz alheia. Não se deixe levar pela ameaça do outro ser melhor. Cada um é especial do jeito que é. E não se esqueça; brilhar é também deixar que os outros brilhem.

Num mundo onde a competição empreguinou-se nas pessoas e o medo de fracassar as levam a cometer erros piores do que cometeriam se se permitissem errar, o ódio e a intolerância ao distinto tornam-se banais. A vida perde seu valor real. Os valores morais se invertem e o vilão se faz herói.

Precisamos de mais “nós” e menos “eu”… De enxergar o outro como tão importante quanto nós. De se irritar menos e sorrir mais. De ser mais e estar menos.