Avulso II

Olho para a parede sem relógio e me pergunto que horas devem ser. A janela está semi-aberta, mas não há nenhum indício de que já passou das cinco. Por isto, aguardo. E aguardo há algum tempo.
Giro uma mecha de cabelo no indicador. Enquanto isto, navego em mim mesmo. Perco meu sono, minha realidade e fico no meio, bem no meio. O meu mundo se torna lúdico e então me entrego. Me integro.
A medida que o tempo passa, fico mais alerta. A percepção das coisas se aguça e o que antes era obscuro passa a ficar claro. A névoa que atrapalhava a visão se dissolve. O mundo pulsa e agora posso enxergar. Um sorriso bobo que se forma sozinho.
Fácil e difícil só dependem de como você encara as coisas. Mas ainda assim, o discurso é mais fácil quando não ultrapassa o âmbito da Fala.

Se o momento pede um avanço, não adianta quantos passos você queira dar para trás, isto não vai acontecer. Pense e repense. Respire fundo. Siga seu coração

Não se precisa ver as coisas como os outros vêem. Contudo, é preciso ver.

O mal resolvido se Acerta

É comum mantermos situações mal resolvidas em nossas vidas. Os motivos sempre variam e cada um tem suas próprias justificativas. Independente disto, certos momentos chegam para que fechemos algo que esteja pendente.
Às vezes é preciso um chacoalhão, um estímulo externo, para que as coisas andem para frente.
Longe de estar ao nosso controle, e mais longe ainda de sempre ser o que imaginávamos que seria, o resultado destes momentos não dependem da nossa vontade.
O fato é um só: se a hora de finalização chegou, não existe uma opção secundária.

É como aquela última viagem naquele trem antes corriqueiro… Aquela incerteza mais clara de que um possível retorno pode tardar mais do que você espera.

E então você sorri. As armas se abaixam e a paz é declarada. É o fim de mais uma longa guerra. Outras virão, mas você já pode descansar desta.

Feche os olhos. Encha seus pulmões com o máximo de ar que conseguir. Ouça seu coração. Desfrute seu momento e feche o livro. “Tap”! Guarde-o na estante. Agora fica mais fácil entender: A história acabou, mas não deixa de existir. Ela vai estar sempre ali. Só cabe a você visitá-la um dia, ou não.

O fechar Desajeitado

Passos corridos e desajeitados. Um ônibus que nunca chega e um bilhete amassado na mão. Um coração que bate mais forte do que você jamais imaginou. Uma visão turva e um sonho que se dissolve enquanto você respira.
Então você descobre que você não está contra o tempo, mas contra você mesmo e que certos capítulos só se fecham quando você entende suas próprias escolhas. Se você não aceita suas consequências, não desfruta suas vitórias.
E quando não se trata mais de tentar, é porque a única possibilidade é conseguir. Só é preciso entender que na vida não se tem perda, mas ganhos. Ou isto é só mais uma questão de ótica…

O som de uma cachoeira me intriga não pelo seu volume, mas por sua continuidade. Mesmo tendo uma aparência idêntica, a água que ali passa nunca é a mesma. É ser diferente sendo igual.