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Quantas voltas damos para chegar num mesmo destino? Será que o preço das coisas é tão alto quanto imaginamos? Quão longe podemos ir sem sair do lugar?

E se seus medos fossem gente… Como você lidaria com eles? Por que esperamos o ano novo para avaliarmos nós mesmos? E por que fazemos do prometer algo tão mais fácil que o cumprir?

Por que valorizar as coisas somente na escassez?
Por que o ganhar não costuma doer como o perder, mesmo quando a vitória significa perder algo?
Por que buscamos tanto no mundo o que está dentro de nós?

Quantos erros nos permitimos comenter antes de aceitar uma falha? E quantas falhas assistimos até mudarmos um comportamento?
Pois é, eu também não sei…

Reconstrução

Um zumbido gradativo bem no interior do ouvido me despertou. Abri os olhos e me vi no chão. Havia pó de concreto e areia cobrindo toda a extensão que podia ver. A minha primeira tossida dispersou uma boa quantidade do pó próximo do meu rosto formando uma nuvem cinza claro no ar. Levantei-me e senti meus ossos estalarem. Meu corpo doía. A cabeça ainda latejava.
Vaguei sem rumo por algum tempo entre os destroços do que parecia ter sido uma cidade. Vigas e alicérces do que eram edifícios agora estavam semi ou totalmente destroçados. Um vasto campo acidentado. Um deserto. E eu estava ali. Respirei fundo.
Há menos de um metro havia um grande martelo. A mensagem era clara. Era tempo. Me aproximei do que restara de um muro e martelei um de seus cantos. Ajoelhei. Aquilo machucava meu peito. Novamente respirei fundo e me levantei. Mais uma pancada. Uma lágrima brotou e deslizou pela maça do rosto.
Não sei quanto tempo levou para que eu derrubasse cada vestígio daquele lugar. Não sei quanto me custou, mas doeu. Apesar de necessário, doeu.
É o preço do crescimento, dizem. Abrir mão de certas coisss. Soltar o pássaro.
Me espreguicei, ainda com o coração latejante, e comecei a segunda parte da minha tarefa… Reconstruir.

E com tijolo após tijolo eu vejo uma cidade nova. Tão igual e tão diferente a anterior. Um novo lugar no mesmo local.
Não é questão de se reinventar ou não… É fazer diferente sempre que nos for solicitado.

Libertar o prisioneiro quando a pena dele acabar.
Deixar partir.