Comigo Mesmo

Ao som de um rock que eu desconheço, observo os copos vazios de cerveja e a garrafa vazia que está sendo retirada pelo garçom agora mesmo.
O ventilador no teto me refresca, mas não é o bastante.
Há uma forma de forno de porcelana com batata frita fria. Como quieto, hipnotizado pelas batidas do que mais me soa blues a que rock.
Estou sozinho, mas me sinto pior que isto.
Tomo minha vodka com limão e balanço no ritmo frenético da guitarra. O som é tão alto que mal consigo me ouvir, mas já não me importa.
Me despeço de quem deixa a mesa e ali fico, a sós comigo mesmo.
Me despeço de todos. Me despeço de mim mesmo. E sei, pelo gosto do alcool que ainda está na minha boca, que esta noite será, sem dúvidas, mais longa do que devia.
Um Sol, um dó… Um Mi.

É o som da minha noite.
É o som que reflete a mim.
É meu som.
Só eu e nada mais.

O Entardecer

O entardecer. O inicio da noite. O começo de um período dominado pela escuridão. Um tempo em que temos que deixar de lado nossa visão e dar lugar aos outros sentidos.
Não importa quão longo foi o Dia, a Noite sempre chega.
E quando ela vem, temos na mão apenas uma vela. Nossa única real garantia é que uma hora o céu irá clarear.
Até lá, qualquer coisa pode acontecer… Nossa vela pode se apagar e nos deixar em pleno breu. Podemos tomar o dobro de tempo para vermos o amanhecer. Podemos simplesmente esquecer dele, já que nunca sabemos quanto tempo o escuro vai durar… Porque para a escuridão se dissipar, é necessário que estejamos prontos para a luz novamente. E isto só depende de nós.

Nossa vida é atemporal. Qualquer medida de tempo não passa de um controle criado pelo homem. Então me diz… Que é um minuto? E uma hora? Qual é o real valor deles em nossas vidas?

Tempo. Cedo. Tarde. Claro. Escuro. Antônimos… Opostos se interligando e anulando uns aos outros. Um só objetivo: Equilíbrio.

Tudo que aparece em nosso caminho é um desafio. E não importa quão preparados julgamos estar. A verdade é que nunca estamos.

Mas não importa quanto vai tardar até o céu clarear. Nem se a vela de nossas mãos apagou. Algo em nós sempre vai brilhar…
Porque a chama do coração. Ah, esta nunca se apaga.