O horizonte Branco

Mente vazia. Pensamento distante. Olho por detrás do horizonte, mas não enxergo nada além de uma linha reta, branca, sem conteúdo.
O tempo corre e não tenho muito espaço para me mover. Sou sufocado pela incerteza do amanhã e desfaleço, imóvel, no chão. Algo quente se espalha sobre meu corpo, como um manto de lã. Sinto mãos calorosas passando os dedos em meu cabelo. Não consigo abrir os olhos, mas sei que estou seguro de alguma forma. Eu preciso reagir, mas meu corpo se recusa a se mover. Sinto uma forte sonolência e, pouco depois disso, estou afundando para dentro do solo, caindo em queda livre.
Quando abro os olhos, ainda estou no chão. Entretanto, desta vez meu corpo obedece meus comandos. Levanto-me com firmeza e me espreguiço. Ainda não vejo o que há além do horizonte, mas vejo diversos caminhos a serem seguidos. Muitas possibilidades, apesar de um curto espaço de tempo para que eu possa decidir o que fazer.

Enquanto caminho rumo a algum lugar que ainda desconheço, sinto um calor no peito. Eu precisava mais uma vez acreditar em mim. E mais uma vez esquecer quaisquer obstáculos criados por mim, por quem estiver ao meu redor, ou mesmo pelo ambiente em que me encontre.

Totalmente desarmado, munido apenas de coragem, adentro mais uma vez o desconhecido. As mãos suam, minha testa está encharcada. Sinto meus ossos tremerem. Ouço um ruído e sorrio. Vejo ali meu destino. É alí, a poucos passos de mim, que minha nova jornada deve começar.

Passo-a-passo. Cada dia mais perto. Só é preciso caminhar.

O ponto de Equilíbrio

Cada amanhecer é diferente. Sua beleza sempre muda de acordo com a forma que você o observa.
Não é apenas um clarecer. É a garantia de que a luz sobrepôs a escuridão outra vez.
O Sol fura a terra e desliza sob o céu. Seu tempo de reinado é cronometrado, mas sabemos que em um curto tempo ele voltará a aparecer.
Quantos dos pilares que estruturam sua vida devem se desintegrar para que um novo império se reerga? Quão longe você pode questionar a si mesmo?
Estava pronto para correr mais uma vez. Estava no fim do looping. Precisava de apenas mais um passo para começar tudo mais uma vez. A roda da fortuna estava prestes a girar quando simplesmente lhe virei as costas. E então ela se desfez, fazendo com que as coisas tomassem um novo rumo.

Sob um céu cheio de estrelas, vi o Sol surgir e cada pontinho faiscante se diluir no vasto manto azul marinho que ia clareando gradativamente conforme ele Se erguia. Naquele dia, a Lua não se apagou e ambos os astros brilharam até a noite voltar.

Era um novo símbolo. Representava meu ponto de equilíbrio. Era onde eu queria estar.