Acordar, respirar e, então, se sentir vivo. Colocar a mão no peito e observar o coração bater. Tudo isto faz parte da vida física, do nosso organismo funcionando e nos mantendo vivos. Entretanto, não levamos em conta nenhum destes elementos quando dizemos que nos sentimos vivos.
Não é pelas reações químicas, impulsos nervosos, sínteses de proteína, entre outros, que fazemos tal afirmação. Falamos “me sinto vivo!” por algo além, produzido em algum lugar que limita o coração, a mente e nossa alma. Um sentimento intrínseco, puro, que nos leva a crer que temos um objetivo alcançado, ou algo que nasce e balança nossos alicérces a ponto de nos fazer observar o exterior, o que acontece do outro lado do muro.
Por muito tempo vivemos numa cápsula pessoal, num mundinho só nosso que não deixamos os outros terem acesso. É nosso canto e que ninguém se atreva a mexer nele.
Diariamente somos convidados a sair deste mundo, abrir-se ao exterior e explorar nosso próprio universo. A escolha sempre é nossa, mas em certos momentos nos abrimos sem nossa própria percepção, por algum motivo aleatório, e aí o que nos rodeia fica mais cor-de-rosa.
Se sentir vivo, portanto, faz parte de um processo totalmente distante do estar vivo em si, do existir. Requer experiência externa, contato, toque. É o desafio constante de sair da nossa caixinha, o estímulo que nos move a almejar uma mudança e lutar por ela, ou a apenas olhar para si e se auto-observar.
Quando abri os olhos naquela manhã senti algo diferente. Não era um despertar qualquer. Algo além da minha própria consciência acordara. E me trazia mudanças.
Era um sinal. Mais uma vez as coisas mudariam completamente. Era só uma questão de tempo.