E então eu me deparei com uma grande dúvida: ou as pessoas ao meu redor eram demasiadamente descrentes, ou eu que era ingênuo demais.
Enquanto baseava meu discurso no que me havia sido dito, os dois se entreolhavam, quase revirando os olhos, como se quisessem dizer “já ouvimos isto e isto não é verdade”. Tentei argumentar, “Mas foi o que me disseram…”. A réplica foi automatica: “Todos podemos dizer”. Suspirei e pensei em algo para responder. Eu não tinha réplica. Aquilo era uma verdade inegável. Certamente, quando queremos ou precisamos, é muito simples; falamos. Vomitamos as palavras. É o outro que vai filtrar e compreender. Podemos induzir pensamentos, agir incoerentes com nossas vontades por diversos fatores. Mas esta habilidade existe e eu não podia simplesmente dizer o contrário.
Era uma encruzilhada a qual havia trombado. Ok, talvez fosse isso mesmo. Era muito mais provável que eu fosse o ingênuo, e não eles os descrentes. Porém, o fato é que… Não, eu não tenho argumentos para nenhuma defesa.
Sorri e pensei em mudar o assunto. É assim que fazemos, ou na maioria das vezes, quando não estamos lidando com algo da forma “esperada”. Damos um tempo a nós mesmos. Refletimos. Depois agimos. E se o objetivo é deixar as coisas inertes, fica ainda mais descomplicado; não tomamos ação nenhuma.
Conforme eu me repelia, era envolvido ao mesmo tempo, quase que da mesma forma, num sincronismo um tanto irritante. Eu estava inerte, tentando vasculhar alguma saída. E enquanto não a encontrava, eu ficava congelado nesta situação.
Ouvi muitos “eu teria feito diferente”… É bom saber que as pessoas são distintas e que agem de forma desigual. Eu fiz diferente delas. Isto me confortava, ao mesmo tempo que me induzia a mais perguntas.
Uma pontada de desespero se fez e a reprimi no mesmo instante. Cabeça quente não pensa, só ferve. O problema era descobrir, procurar, o que seja, o que era para ser pensado. Este é e sempre foi o incidente. Era um risco? Era uma emboscada que eu mesmo havia preparado?
Meu campo estava minado e qualquer passo que eu desse poderia causar uma explosão. O resultado era imprevisível. As decisões, inevitáveis. Era um penhasco a se jogar, ou uma nova curva a se fazer? Um desvío no meu próprio caminho?
E então começou tudo de novo. Dúvidas, dúvidas e dúvidas. O que eu iria fazer? Esta era uma boa pergunta…