Enquanto o Sol nascia e uma forte faixa de luz vinha do horizonte eu abri os olhos. Enchi os pulmões de ar, limpei a vista com os dedos e levantei-me. Não fazia muito tempo que adormecera ali, mas era hora de acordar.
Dei os primeiros passos com dificuldade, ainda estava com sono. O trajeto seria longo, porém a promessa no ar era de não olhar para trás.
Entre o limite da razão e emoção, me espremi no apertado corredor que ambas formavam a minha frente e passei. Não era uma tarefa fácil, nunca foi. O fato era que simplesmente não havia mais postergações. Já não tinha ferramentas para ir em frente sem desviar meu caminho.
Então segui. Voltei a caminhar.
Os sonhos que me motivaram a adormecer me fizeram crescer.
O despertar chegou e tais sonhos se esfaleraram em pó cósmico no peito no momento que o Sol brilhou.
Sorri e segurei o coração com as mãos. Eram apenas sonhos. Sonhos passageiros. E era hora de continuar.
Adeus ou até logo, só o tempo irá dizer.
Monthly Archives: January 2012
Troca de Ácidos
E então, quando for o momento de reiniciar, não vai haver pausa para preparação. É como se a vida fosse um mecanismo vivo, com vontade própria, que age nos conformes para que as situações que passamos se reflitam em crescimento. Nem sempre aceitamos na hora, mas depois acabamos chegando a esta conclusão. “Foi para um bem maior”. Confortante, não?
As ideias que se formam na minha mente, neste exato momento, se fazem desconexas. E o peito latente que ainda arde com violência me lembra de coisas que eu não quero me recordar agora. Há palavras que querem fugir da boca. Elas são agressivas e queimam os dentes. Quando certeiras, causam lástimas, desacordos e muito sofrimento desnecessario. Foi aí que decidi mantê-las. As expelia silenciosamente enquanto ninguém espiava. Eu digeria, ninguém se machucava e estava tudo certo.
E quem sabe não foi como eu esperava. Talvez não como eu queria. Mas foi, de alguma forma, certo? Eu teria de aceitar os fatos e ponto. Foi o que eu fiz e o que estou prestes a fazer.
Heartbroken? Não entenda errado! Não tem nada a ver com paixão/sentimentos… Ou é o que eu quero enxergar.
A percepção que Chega
E eu percebi que me confundia facilmente com as estações de metrô. Todas tão iguais, sempre havia alguma particularidade, mas toda vez deixava passar. A dúvida me consumia e depois consumia a si mesma, como uma montanha russa que sobe mas um instante depois desce.
Por um momento, bem curto, eu pude ver as semelhanças, algumas delas, e certamente eu queria ver mais. Cavar ainda mais fundo. Outro tufão se fez e mais uma vez eu vi meu cotidiano virar de cabeça para baixo.
Há sempre uma surpresa quando estamos prontos para ela.
Eu ainda não sei o que isto quer dizer, mas tenho certeza que estou vivendo uma agora mesmo.
Se a fé se perde e a desesperança toma conta do seu mundo, é por que chegou o momento de provocar um apocalipse nele. E então, vamos nessa?
Meu Mundo
Este é meu mundo. Tudo o que há nele é meu, e eu gosto disso. Não importa o que acontece no exterior, este é meu mundo e eu faço aqui minhas regras.
Aqui há melodia, há canção e há vocais. Tudo o que eu preciso está aqui, bem aqui, no meu mundo. E não importa o que digam, este é o meu mundo e ele não vai mudar se eu não quiser. Eu dito, e acontece quando tiver de acontecer.
Enquanto as estações passam, eu cuido dele do meu jeito. Está tudo certo.
Aqui não tem aquecimento global, nem tufões, nem bombas nucleares. Aqui não tem poluição, resíduos químicos e tudo é reciclável.
Não é um mundo como o que vivo junto a outras pessoas, e estes termos não são equivalentes aos que temos neste mundo externo, o que todos vivem.
E o meu mundo muda. Cresce e renasce. O tempo é outro. E eu sou responsável por mantê-lo vivo.
Mas ei, não force a barra… Afinal, este é o meu mundo… E eu faço dele o que tiver de ser feito.
Qualquer que Seja…
Era alguma ansiedade que se alojava no estômago. Não eram borboletas, eram dinossauros. E, mesmo sem ter comido nada, sentia uma forte náusea. Para ajudar, o trem do metrô acelerava e reduzia constantemente, projetando todos os passageiros hora para frente, hora para trás.
Quando a cabeça começou a latejar, cogitei desviar meu trajeto, mas não iria valer a pena. A verdade é que muita coisa parecia não valer a pena. Ainda assim, continuava insistente. Só não sabia identificar quando esta perseverança se tornaria burrice.
Eu estava no meio de tudo, entre o céu e o inferno, fazendo dos pequenos fatos grandes detalhes que, aos olhos alheios, seriam considerados insignificantes e que realmente deveriam ser. Ora, ora. Mesma situação. Mesma solução. Mesmo medo.
Ok, já estava claro, certo? O que precisava era um pouco de… Não sei. Um pouco de alguma coisa.
Um sorriso vale mais que um milhão de palavras. E a felicidade que eu sinto às vezes é impagável. Pode ser unilateral, pode talvez não ser recíproca. Mas me faz bem. E eu não posso negar que, talvez, quando eu tomar este passo, tudo possa mudar de novo.
Se eu não o fizer, as coisas vão me levar a outro rumo.
O desfexo vai ser outro. E minha alma vai brilhar em qualquer que seja o caminho que eu seguir. Calma. Paciência. Tranquilidade. Os alicérces que me levariam aonde quer que eu quisesse ir. Hoje, sem querer, se fazem necessários outra vez.
E não há segredo meu que eu não possa desvendar. Por que eu ainda não conheço todos meus mistérios, mas eu tenho, assim como você, a chave para desvendá-los. Só preciso girar a chave, seja lá o que isto queira dizer.
Boa Pergunta!
E então eu me deparei com uma grande dúvida: ou as pessoas ao meu redor eram demasiadamente descrentes, ou eu que era ingênuo demais.
Enquanto baseava meu discurso no que me havia sido dito, os dois se entreolhavam, quase revirando os olhos, como se quisessem dizer “já ouvimos isto e isto não é verdade”. Tentei argumentar, “Mas foi o que me disseram…”. A réplica foi automatica: “Todos podemos dizer”. Suspirei e pensei em algo para responder. Eu não tinha réplica. Aquilo era uma verdade inegável. Certamente, quando queremos ou precisamos, é muito simples; falamos. Vomitamos as palavras. É o outro que vai filtrar e compreender. Podemos induzir pensamentos, agir incoerentes com nossas vontades por diversos fatores. Mas esta habilidade existe e eu não podia simplesmente dizer o contrário.
Era uma encruzilhada a qual havia trombado. Ok, talvez fosse isso mesmo. Era muito mais provável que eu fosse o ingênuo, e não eles os descrentes. Porém, o fato é que… Não, eu não tenho argumentos para nenhuma defesa.
Sorri e pensei em mudar o assunto. É assim que fazemos, ou na maioria das vezes, quando não estamos lidando com algo da forma “esperada”. Damos um tempo a nós mesmos. Refletimos. Depois agimos. E se o objetivo é deixar as coisas inertes, fica ainda mais descomplicado; não tomamos ação nenhuma.
Conforme eu me repelia, era envolvido ao mesmo tempo, quase que da mesma forma, num sincronismo um tanto irritante. Eu estava inerte, tentando vasculhar alguma saída. E enquanto não a encontrava, eu ficava congelado nesta situação.
Ouvi muitos “eu teria feito diferente”… É bom saber que as pessoas são distintas e que agem de forma desigual. Eu fiz diferente delas. Isto me confortava, ao mesmo tempo que me induzia a mais perguntas.
Uma pontada de desespero se fez e a reprimi no mesmo instante. Cabeça quente não pensa, só ferve. O problema era descobrir, procurar, o que seja, o que era para ser pensado. Este é e sempre foi o incidente. Era um risco? Era uma emboscada que eu mesmo havia preparado?
Meu campo estava minado e qualquer passo que eu desse poderia causar uma explosão. O resultado era imprevisível. As decisões, inevitáveis. Era um penhasco a se jogar, ou uma nova curva a se fazer? Um desvío no meu próprio caminho?
E então começou tudo de novo. Dúvidas, dúvidas e dúvidas. O que eu iria fazer? Esta era uma boa pergunta…
Carpe Diem
Era um imenso horizonte a minha frente. Kilometros e kilometros adiante, estendendo-se de leste a oeste sem nenhuma hesitação. Era puro Atlântico, e o mais extenso e amplo horizonte que já havia visto antes.
Em algum momento, ainda perdido naquela vista, senti alguma faísca no peito, como se algo quisesse arrancar partida, engatar. Acho que é isto que chamam de motivação. E então era isto, estava motivado pela vista do mar.
Ainda confuso, tentei organizar as ideias. O que estava acontecendo? Queria rir, gargalhar. Me senti esquisito por mais alguns instantes. E antes mesmo que pudesse me recuperar, o céu foi iluminado por explosões coloridas que variavam entre dourado, vermelho e verde, o que voltou a me deixar em estado de inebria.
Os dias são novos, mas não parecem mais especiais que os do ano passado. Indiferentemente, apenas por fazermos parte deles, eles se transformam em clímax.
Aproveite isto! Carpe Diem 😉