Faça um Pedido

Nunca pedi muito. Acho que todos meus pedidos costumam ser humildes. Simples tão quanto traçar uma linha torta destas que vêm de um movimento natural do braço, nada complexo.
Fui lutando cada batalha com minhas melhores armas, conquistando cada território com o que chamei de próprio suor. A Guerra não chegou a terminar. Ainda havia partes que precisava dominar. Tudo se congelou, como pedra de gelo, no instante que decidi focar as atenções em algum objetivo. Meu mundo esperava algum estopim. Os nervos estavam a flor da pele. E as consequências de qualquer ato inocente poderiam causar danos e feridas que deixariam marcas para sempre.
Eu tinha pendências. Assuntos mal resolvidos e empoeirados. Coisas que havia deixado para trás há muito tempo. Pequenos detalhes que se perderam no girar dos ponteiros e passar dos anos. Era hora de virar a página, fechar o capitulo, e começar outro com novas histórias.
O papel está sob a mesa. E eu tenho a caneta na mão neste momento. Leio minha própria obra. Releio meus clímax favoritos, me emociono nas linhas tortas que escrevi e sinto meu coração formigar com cada parágrafo dourado que encontro, sortidos no extenso texto bem a minha frente.
Não, eu não cobro por sorriso dado. E não tenho medo de caminhar nas trilhas que ainda desconheço. Só ofereço o que tenho em mãos, e peço desculpas se não alcançar quaisquer expectativas.
Eu acredito em palavras ditas, e não vejo problemas em ser chamado de tolo. Faço o que posso fazer e tento compreender o que não faz parte de meu escopo.
Alguns me dizem que é hora de começar de novo. Mas eu digo que este tempo já passou, e que a hora é de recomeçar o que já recomeçou, seja lá o que isto significa.
Não me aborreço mais pelo que deixei de entender. Se certas coisas fossem entendíveis, a humanidade não teria os seus mais belos mistérios.
Me desculpe, mas talvez seja o momento de partir. Não sei quando retorno, mas sei que um dia voltarei à este recinto.
Meu peito estufa. É aquela ansiedade natural do novo. Minhas mãos suam em parceria ao coração. A respiração se torna ligeriamente ofegante. Solto um longo suspiro e, de olhos fechados por um curto momento, eu deixo a porta aberta e parto.
“Não tenha pressa e não tenha medo”, repito a mim mesmo. Está tudo bem! Pois as respostas que busco, sejam lá quais forem, só o tempo irá trazer

O que se esconde, mas Renasce

Respire fundo. Isto mesmo, respire fundo. Este é o primeiro passo. Parece difícil, mas dá para fazer.
Com os pulmões cheios, é hora de enfrentar a situação, coletando todas as ferramentas que você precisa para ir à luta, seja ela qual for.
Às vezes, o medo de arriscar nos consome a ponto de sempre querermos manter o que nos é confortável, até que esta vontade se quebre por algum motivo (ou quem sabe nunca se quebre). É nosso escopo escolher esperar o inevitável, ou evitá-lo.
Olhe através dos meus olhos e veja o que eu não posso ver. Não preciso saber o que você vê, mas você tem que enxergar algo que eu não possa olhar.

Hoje caminho descanço. Hoje sinto a terra na sola dos pés. Sinto a vida latente em mim. E respiro este ar que me cerca com mais vontade.
Foi este Pôr-do-Sol que me deixou assim. Foi um crepúsculo qualquer, igual a tantos outros que vi. Mas foi este que me mudou. Mexeu e contorceu as entranhas. Refletiu minha alma e pôs para fora o que já não servia.
E renasci, como o Sol faz todos os dias ao se pôr, se escondendo em um horizonte, mas nascendo no outro.

Eu sinto cada raio de luz atravessar a pele. Me traz calor. E é isto que importa, certo?

Nem sempre vamos realizar sonhos. Nem sempre vamos ter o que projetamos. Mas se soubermos que valeu a pena tentar, e que demos o melhor de nós mesmos, o resultado já não é tão importante. Ele vira só um pequeno detalhe de um todo muito maior.

O tic tac ticou. E eu soube naquele momento, tão curto, mas único, que tudo seria uma questão de tempo. E foi.