Eu fechei os olhos por alguns instantes e pisquei. Ainda estava no mesmo lugar.
A cama, macia, provia muito mais que descanso. Era sobre ela que tinha os mais diversos tipos de diálogos. Estes os quais ninguém nunca sequer imaginou que pudesse ter.
Ao meu redor, a escuridão me consumia. Não via nada claro, apenas formas incompletas das coisas.
Eu queria poder fazer muito mais do que estava fazendo, esta era a verdade. Não era um sentimento qualquer. Eu realmente queria ajudar, talvez mais a mim do que qualquer um.
Então eu lembrei. Lembrei de cada conversa que tive. Recordei todas as ideias que expus. Notei que elas foram monólogos com respostas fabricadas.
Eu suspirei. Olhei nos seus olhos. Algo nascia com o brilho deles e morria com as verdades que eles me contavam.
Eu ri. Eu gargalhei. Voce me acompanhou sem entender.
Dei um murro em seu rosto. Um som de cristais partindo-se ecoou e você quebrou em pedaços. Minha mão se cortou com o golpe.
Foi a primeira vez que te enfrentei. De frente. Eu tinha que estar em sintonia contigo para que se encaminhasse o que tivesse que encaminhar. Eu te ouvi mais e falei mais.
E cada folha do calendário que caiu me deixou mais próximo de você.
Sem mim, não há você. Sem você, eu não existo.
Uma nova batida nasceu em meu peito. É um renascer, eu sei disto.
Muita coisa vai mudar. Muito do que era já deixou de ser.
Use as armas que tem. Construa o que tiver que construir.
Deixe tudo para hoje.
Por que amanhã, haverá novas armas. E as habilidades que você precisará para manejá-las só dependão de você.
Lembre-se disto em cada pôr-do-Sol. Ele pode ser seu primeiro. Ele pode ser seu último…