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O discurso Interno

Uma nuvem negra cobria meus pensamentos. O caos se instalara na mente sem nenhuma intenção de sair. No peito, latejo e agonia.
Fechei os olhos por alguns instantes e me observei. Que bloqueio era este que se formara?
Senti o coração pulsar desesperado.
Pedi calma a mim mesmo e respirei fundo.
Como se num pronunciamento nacional, todas partes minhas pararam para ouvir atenciosamente o que eu tinha a dizer.
Enchi o pulmão de ar e subi no palanque. Havia uma grossa camada de poeira cobrindo o mesmo. Não conseguia me recordar a última vez que havia feito isto.
Silêncio. Todos me olhavam com ternura.
“… Eu…” – houve uma breve pausa – “Eu não sei por onde começar” – sorri sem jeito.
Todos aplaudiram aquelas 6 palavras que pronunciei. Me emocionei.
Olhei brevemente para a platéia. Quanta gente nova ali. Quanta gente mudada. Como é que não havia me dado conta antes?

Durante todo o discurso, expus fatos, angústias, medos, despreocupações, etc… E ouvi atento o que cada um ali tinha a dizer.
Não sei quanto tempo fiquei lá, nem quantas horas posteriores tomei absorvendo cada ponto de vista que me foi dito.
Quando percebi, não havia mais nuvem cobrindo nada. O coração estava tranquilo novamente.

No momento em que me despedi, virei as coisas para a platéia sem uma promessa de retorno e desci do palanque, eu entendi:
Antes de qualquer consulta do lado de fora, devemos nos escutar. Ninguém melhor do que nós mesmo para compreender o que nos passa. Se não há entendimento interior, não há compreensão externa.

Ainda me lembro de cada sorriso que vi, de cada aplauso que escutei e de cada opinião compartilhada. Ainda lembro cada olhar e cada sentimento que se espalhou no meu peito.

E pela primeira vez notei um Sol nascendo em mim…

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