O sonho que se vai

E pode dar na telha de um dia cair a ficha de que um sonho que muito se almejou não passa de um sonho passageiro.
Se um dia isto acontecer, não há muito o que fazer. O primeiro passo é se acalmar. Respire lento e deixe aquele agudo do peito se dissipar em você.
Com o tempo vem a conformidade. As coisas ficam mais claras na cabeça e o que incomodava tanto passa a ser apenas um desconforto. Com o ticar do relógio e o cair das folhas do calendário, este desconforto tende a ser cada vez menor.
Só não caia no erro de tentar mudar, ou de enxergar algo passageiro como duradouro. Isso aumenta os esforços, deixa as coisas mais difíceis.
Tente entender: tudo é apenas uma questão de tempo e cada um tem seu relógio. Para mim, o acalmar pode demorar meses, para alguns, dias.
E não se prenda a olhar para trás, principalmente se seus pensamentos ainda não estão seguros. Deixe para lá tudo o que parecia ser indícios de que iria dar certo. As vezes eles eram apenas visões distorcidas suas da realidade.
Tem coisa que não depende d’agente. E tem coisa que não vai mudar se o outro não fizer parte dele.
Custa entender, custa acreditar. Sonhos são sonhos, e quando se mostram improváveis (não usarei o termo impossível aqui, pois creio ser sempre uma visão pessoal, de cada um), claro que faz ferida. Claro que dói no peito.
O segredo é respeitar o que acontece e entender que o que não é para ser nunca será.

Quando uma porta se fecha, outra se abre. Muitas vezes esta abertura não será cristalina. Tem de enxergar. Tem de querer ver.

O despertar

Zonzo, desperto a cada dia com uma nova perspectiva. Cada página virada trás não só linhas escritas, lidas e processadas, mas experiências que marcam a pele como tatuagens. Elas sempre estão ali, e você sempre as vê, ou as sente.
A dor de cabeça já passou, já tomei um café. Sob a mesa, apenas minhas mãos. No peito, uma leveza. E eu que não acreditei em mim mesmo pude notar quão tolo fui. Pois estava ali, inteiro. Isto por que cada dificuldade é uma prova. Prova esta só burocrática, pois por bem ou por mal somos aprovados, tirando a nota que devemos tirar.
É do ser humano ultrapassar (ou pelo menos querer ultrapassar) horizontes. Não importa quão acomodado você seja, você sempre quer mais. Portanto, querer por si só deixou de ser um diferencial. Tem que fazer. Tem que ser. Querer é só querer.
As vezes a gente acaba esquecendo que a vida é uma só, e que só vamos viver uma vez nela. Nos acomodamos, deixamos o tempo passar. Depois olhamos para trás e sentimos remorso. Aí vêm os “se”.

Que tal deixar os “se”?! Melhor se arrepender do que se fez a que o que nunca foi feito. Ambos são passado. Ambos não dá para mudar. Mas o fazer ensina, o hesitar apenas hesita.
E se errar o caminho? Ora, sempre tem um retorno. A volta vai ser maior, mas as experiências também… Isto por que na natureza nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.

A angústia

Você vê acontecer, mas não há nada que você possa fazer para impedir. Então ficamos de mãos atadas. Mas que importa? Que aconteça! Que desatemos as mãos… Que vivamos mais, desta vez sem precedentes, sem angústias, sem medo de ser feliz. Por que felicidade, para alguns, é uma ameaça.
Num dia nublado, veja o verde da grama, não o cinza do céu. Abra os braços, pelo menos uma vez na vida, para sentir a brisa gélida de uma tarde de inverno. Esqueça um pouco, nem que seja um pouquinho, o dia de amanhã. Vamos viver o hoje, nem que seja só por hoje.
Abra os olhos, olhe ao redor. Veja o que você deixou de ver por tanto tempo. Note como o mundo mudou. Note o que você passou e veja como você está mais forte, mais ágil, sempre mais, para o que der e vier. Sorria e perceba seu sorriso.

E o complexo se torna simples, o impossível fica tangível.

E os sonhos podem, mais uma vez, brilhar em você.

O “D”

O olhar distante leva consigo mais uma vitória. As mãos calejadas lembram todo o esforço. O peito, ja ex-latente, só é um adendo.
O que vale não é o que se passou, mas o que aprendemos de cada etapa, cada erro e cada acerto. Creio ser este o real sentido, e ponho todos meus votos nesta ideia.
Não importa o que deixamos de ver ou o que nunca vimos. O que importa mesmo é o que você tem aí dentro de si.
Estamos no limite entre a realidade e a imaginação. Cada um faz seu pròprio mundo. Cada um escreve sua própria história, com seu próprio lápis, caderno.
Esta em cada um a vontade de viver ou apenas respirar.
É de cada um crescer ou permanecer onde está.
É de cada um ser cada um.

O alarme toca, todo dia, mostrando para nós que ainda existe um novo amanhã. E se olharmos para trás, apenas por curiosidade, veremos o quanto já andamos. E aí pergunto: por que desistir agora?!

Nem mais, nem menos

Desta vez, as coisas eram bem diferentes. Havia uma ansiedade no peito desnecessária. Eu ja havia pensado muito. Não tinha em números as tantas vezes. Entretanto, não obstante, porém, aquela havia sido a primeira vez a qual eu havia efetivamente dito algo. As silabas se formavam em palavras automaticamente, cuspidas do âmago sem qualquer pudor. Não bastou. Não houve retorno. E foi desesperador entender que cada palavra provavelmente não surtira qualquer efeito.
Eu tinha sido claro o bastante. Mais do que o normal. Mais do que eu mesmo queria ser. Era difícil entender, mas tinha sido assim.
Desta vez, eu não quis me olhar no espelho. Meu reflexo ardia nos olhos. Não era tristeza, não era alegria. Não era indiferença. Era uma mistura, provavelmente dos três. E mesmo tentando focalizar qualquer ponto bacana, o que via era apenas um vazio.
Ah, mas o que era isto? Não era pra ser um vazio, mesmo? Sim, era.

E aí entendi, outra vez: Existem coisas que não dependem somente de nós, independente do que façamos. O que podemos fazer nestes casos é assistir. Nem mais, nem menos.