O solo estava umedecido. Por isto, refletia o céu. O horizonte deixou de existir na mescla destes dois mundos, o divino e o profano.
Não havia mais divisão, era tudo uma coisa só.
Suspirei e sentei nas próprias pernas. Eu não fazia ideia de quanto tinha caminhado até chegar naquele ponto. Em nenhum momento me questionei. Não queria saber. O importante é que estava ali.
No peito, havia um coração com muitas cicatrizes. Havia restos de sonhos, planos e pensamentos que perderam força durante a jornada que desembocou onde estava.
Tudo era parte de mim, pedaços desconexos e desencaixados. Era hora de montá-los novamente.
Dei um passo ao me levantar. Meus pés já não doíam. Metro a metro, andando sem parar. Reflexo por reflexo, me mostrando sempre um alguém distinto. Não era ninguém desconhecido. Era eu mesmo, em perspectivas diferentes.
Ali era meu ponto final e meu ponto de partida. O divisor de águas. O divisor da vida. O falecer de um. O nascer de outro.
E em cada túmulo que eu mesmo cultivei, há uma parte de mim. Lembrança do que fui e nunca mais serei.