O café gelado sob a mesa. A xícara fervia. A água borbulhava. Cada gole ardia. Era ardência que não queimava. Era dor indolor.
Que cheiro era aquele que eu sentia? Que é que exalava tal fragrância? E qual era meu maior desejo naquele momento?
Fechar os olhos não bastava. A calmaria não vinha, só o tormento de imagens distorcidas.
E eu estranhava cada reação minha. Por que nada que me derrubava antes me afetava mais. E se algo tivesse morrido em mim? Que significavam estes pensamentos aqui?
Os sentimentos que já não latejavam no peito. A paixão que não desenvolvia. Era só desejo? Ou era apenas capsulamento?
A música do fone cobria todos meus movimentos. Não ouvia o mundo externo. Aquele espaço era só meu.
Ninguém entrava, só eu saia.
O mundo não parou. Não deixou de girar. Fui eu que deixei de flutuar.
Mas quando eu menos esperava, encontrei o teu olhar. O reflexo se fez e me espelhei. Já vira aqueles pares antes. Eram os meus.