Desta vez, as coisas eram bem diferentes. Havia uma ansiedade no peito desnecessária. Eu ja havia pensado muito. Não tinha em números as tantas vezes. Entretanto, não obstante, porém, aquela havia sido a primeira vez a qual eu havia efetivamente dito algo. As silabas se formavam em palavras automaticamente, cuspidas do âmago sem qualquer pudor. Não bastou. Não houve retorno. E foi desesperador entender que cada palavra provavelmente não surtira qualquer efeito.
Eu tinha sido claro o bastante. Mais do que o normal. Mais do que eu mesmo queria ser. Era difícil entender, mas tinha sido assim.
Desta vez, eu não quis me olhar no espelho. Meu reflexo ardia nos olhos. Não era tristeza, não era alegria. Não era indiferença. Era uma mistura, provavelmente dos três. E mesmo tentando focalizar qualquer ponto bacana, o que via era apenas um vazio.
Ah, mas o que era isto? Não era pra ser um vazio, mesmo? Sim, era.
E aí entendi, outra vez: Existem coisas que não dependem somente de nós, independente do que façamos. O que podemos fazer nestes casos é assistir. Nem mais, nem menos.