O dia era um como outro qualquer. As nuvens cobriam o céu, impedindo o Sol de brilhar e fazer brilhar. A cor que reinava era o cinza claro do alto e o escuro do asfalto. Caía água lenta e fria lá de cima. O barulho era de chão molhado. Ninguem falava. Ninguem tremia. Ninguem se mirava.
O cenário era propício a qualquer outro sentimento, menos àquele calor que tinha no peito. Uma sensação de alegria, de leveza. Não era consequência de nenhum sonho, não era consequência de nada. Era coisa da minha existência. Nem mais, nem menos. Eu estava desprovido de qualquer questionamento. Não valia a pena entender o por quê. Quem queria saber?
Continuava cabisbaixo, andando devagar, com um sorriso incomum que iluminava cada passo como um farol que ilumina a estrada. Ninguem entendia o que eu quis dizer naquele dia, ninguem entendia o meu riso. Nem eles, nem eu.