O dia era um como outro qualquer. As nuvens cobriam o céu, impedindo o Sol de brilhar e fazer brilhar. A cor que reinava era o cinza claro do alto e o escuro do asfalto. Caía água lenta e fria lá de cima. O barulho era de chão molhado. Ninguem falava. Ninguem tremia. Ninguem se mirava.
O cenário era propício a qualquer outro sentimento, menos àquele calor que tinha no peito. Uma sensação de alegria, de leveza. Não era consequência de nenhum sonho, não era consequência de nada. Era coisa da minha existência. Nem mais, nem menos. Eu estava desprovido de qualquer questionamento. Não valia a pena entender o por quê. Quem queria saber?
Continuava cabisbaixo, andando devagar, com um sorriso incomum que iluminava cada passo como um farol que ilumina a estrada. Ninguem entendia o que eu quis dizer naquele dia, ninguem entendia o meu riso. Nem eles, nem eu.
Monthly Archives: August 2011
O retrovisor
E quando o retrovisor se faz enxergar? Não se desespere. Apenas o olhe da forma que ele quer. Há sempre uma razão para que ele esteja ali, naquela posição, naquele momento. Por que, sim, há situações as quais olhar para trás é inevitavelmente importante, seja para superar, seja para recordar. E assim segue-se a vida. Passo a passo, sem se afobar.
O relógio vai dar mil voltas, mas nada vai importar. Por que a cada volta, você se faz mais forte. A cada fortalecer, você se vê melhor.
E no final das contas, é isto que importa. Estar bem consigo mesmo. Por que nada se encontra no exterior quando as ferramentas internas estão dispersas.
Tic Tac
Tic tac, tic tac. Um ciclo se fecha, outro capítulo começa. O coração bate forte, é hora de começar novamente. E onde o velho e o novo se mesclam, vejo um mais um nascer. É lá que as coisas acontecem. É lá que me faço crescer.
O Horizonte se torna infinito. E o céu já não é intangível. Os sonhos se transformam, mas a essencia continua a mesma. O mar bate na rocha, e a tritura, num ciclo sem fim, sem se preocupar com tempo, sem se preocupar com nada. E no fim, a rocha já é areia, e a areia já é praia.
O segredo é este. É fazer. É esquecer do tempo, por que ele sempre vai lembrar você do que se passou, mas nunca do que lhe resta. E você nunca vai saber.
Tic tac, mais uma volta do relógio… Tic tac, tic tac.
Olhos alheios
Quando começamos a ver as coisas por uma óptica diferente, é comum que nos deparemos com pontos de vista que antes pareciam tão inaplicáveis à nossa vida.
Buscar novas perspectivas está um passo além de mudar, pois querer uma mudança ou buscar por ela já é uma evolução.
Eu estava concentrado em outras razōes, em outros caminhos. Mas, quando tudo mudou, vi que acordos que fiz comigo mesmo estavam vencidos. Eram nocivos demais.
A pergunta que fica é: devemos sempre tomar tombos para ver com outros olhos? O que realmente motiva uma mudança na nossa vida? Será que é só vontade? Será que o que rege mesmo é uma necessidade?
Agora eu me via diferente. E isto era absolutamente normal. Muita coisa foi deixada pra trás para que novos horizontes viessem. E eles vieram.
Então assumo que se é hora de repor energias, façamos de modo que não nos impacte, ou que o impacto seja o menor possível. É aí que entram a familia e amigos.
Se pepinos fossem feitos para serem resolvidos sozinhos, o cortaríamos com as mãos, e não com o auxílio de uma faca. E não é que tenhamos de ser dependentes, não! Quem é que disse que independência é ser sozinho? Independer é apenas não depender, isto não significa que devamos fazer tudo sozinho e não ter ajuda de ninguém.
Se precisa, peça. Se pode auxiliar, auxilie.
E nunca deixe de buscar novos modos de ver as coisas. Às vezes isto pode facilitar muito mais a vida. Vida essa que já complicamos demais e desnecesssriamente.
Pense, reflita. Veja mais a luz do dia. E assim, certeza… Seu caminho vai estar mais iluminado.