Sentado num banco, aguardo. A mochila, gelada, está sob meu colo. Estico as pernas, cruzo os braços e espero. Não sei quanto tempo estou aqui, mas estou seguro de que não faz muito. Não sei se estou esperando o metrô passar ou qualquer outra coisa. Só tenho esta noção de que estou aqui.
“I look at my watch” – Smash mouth invade o mp3 player. “… And our time has been stolen…”. Abro os olhos pela primeira vez em cinco minutos. Meu tempo foi realmente roubado ou fui eu que roubei? E que segredos são estes meus os quais nem eu sei?
Acho que nada disso importa.
Vejo estrelas ofuscadas por fumaça. As vezes me pergunto se isto é justo. Olho ao redor, ninguém parece se importar. E esse tic tac que me persegue já está me dando nos nervos. Jogo o relógio de pulso no lixo. Sinto um alivio.
Não me sinto mais preso. Queria poder resolver mais pendências desta forma.
O Sol está se pondo, mas logo a Lua vem. E então tenho a prova de que, até nos momentos mais escuros, sempre tem uma luz. No meio de tantas pequenas azuis há uma grandiosa branca. Isto muda tudo.
Fecho os olhos. Ainda posso ver o reflexo do Sol poente em minhas palpebras. Isso me conforta, me aquece.
Sinto cada batida do meu coração. Estou vivo. Portanto, ainda me resta tempo. Ainda posso mudar. Ainda posso experimentar. Ainda posso o que quiser, por que essa nova chance me foi dada hoje, assim como ontem, anteontem…
Pois não importa quanto se passou. Sempre dá pra recomeçar.