Eu estava ali, sentado, de frente para a janela de vidro. As luzes dos carros velozes na rodovia que estava há alguns metros me davam vertigem. Respirei fundo. Ouvia meu coração bater mais fraco que o normal.
Naquele momento, pior que qualquer outro, eu queria uma companhia. Alguém que me envolvesse em seus braços e me deixasse adormecer em seu ombro. Ao contrário, não via nada além de minha sombra deitada sobre o chão.
Às vezes a gente tarda demais buscando amores perfeitos, frases românticas inesquecíveis, aquela pessoa que é 100% compatível conosco. Botamos mil defeitos no que temos e não temos, sempre achando que há algo melhor, esquecendo-se que o melhor é agora, e que o tempo não é eterno, e que se você não cultiva, em breve sua rosa vai secar.
Nos esquecemos que um sorriso pode ser inesquecível e que não há necessidade de compatibilidade total para alcançar o que cada um, no fundo, busca.
E então as décadas passam. Tudo parece mais difícil. Mas, no final das contas, a vida é a mesma. Sempre foi e sempre será. Isto porque cada um faz da vida o que quer. Por que é você quem escreve sua história. E só basta determinação para fazer de cada dia o melhor de todos…
Monthly Archives: June 2011
A espera
Sentado num banco, aguardo. A mochila, gelada, está sob meu colo. Estico as pernas, cruzo os braços e espero. Não sei quanto tempo estou aqui, mas estou seguro de que não faz muito. Não sei se estou esperando o metrô passar ou qualquer outra coisa. Só tenho esta noção de que estou aqui.
“I look at my watch” – Smash mouth invade o mp3 player. “… And our time has been stolen…”. Abro os olhos pela primeira vez em cinco minutos. Meu tempo foi realmente roubado ou fui eu que roubei? E que segredos são estes meus os quais nem eu sei?
Acho que nada disso importa.
Vejo estrelas ofuscadas por fumaça. As vezes me pergunto se isto é justo. Olho ao redor, ninguém parece se importar. E esse tic tac que me persegue já está me dando nos nervos. Jogo o relógio de pulso no lixo. Sinto um alivio.
Não me sinto mais preso. Queria poder resolver mais pendências desta forma.
O Sol está se pondo, mas logo a Lua vem. E então tenho a prova de que, até nos momentos mais escuros, sempre tem uma luz. No meio de tantas pequenas azuis há uma grandiosa branca. Isto muda tudo.
Fecho os olhos. Ainda posso ver o reflexo do Sol poente em minhas palpebras. Isso me conforta, me aquece.
Sinto cada batida do meu coração. Estou vivo. Portanto, ainda me resta tempo. Ainda posso mudar. Ainda posso experimentar. Ainda posso o que quiser, por que essa nova chance me foi dada hoje, assim como ontem, anteontem…
Pois não importa quanto se passou. Sempre dá pra recomeçar.
Acorda tu! O despertador já soou.
O despertador soou alto, por muito tempo. Mesmo assim, foi difícil abrir os olhos. Demorou, até que abri-os e me espreguicei.
É tempo de quebra de ideias. É tempo de novos almejos. O novo se torna curioso. Isso me amedronta, às vezes, embora pense que o medo é pura perda de tempo.
No final das contas, isto é o significado de acordar. É aceitar novos desafios, buscar novos sonhos. Se abrir os olhos bastasse…
Este é o momento. Esta é a hora. Não vai ter como voltar atrás.
E eu farei questão de não fazê-lo. Por que foi isto que prometi. Foi isto que vim fazer aqui. Desta vez não vou falhar.
Bifurcações
Nossa vida é feita de escolhas. Todo dia fazemos centenas delas. Sempre em nosso caminho nos depararemos com bifurcações, assim como árvores. O tronco é um só, mas possui inúmeras ramificações. Todo galho, independente da altura, carrega o mesmo destino; gerar folhas e frutos.
Não existe certo ou errado. Se ao final houver fruto, este conceito de acerto ou erro depende apenas de você.