O trem

Com uma mochila nas costas, caminho de trem em trem, sozinho. Vejo pessoas, conheço pessoas, me despeço, mas continuo a trocar de vagão, como um andarilho.
Em cada estação deixo um pedaço meu. Uma roupa, um carinho especial. Algo. E assim vou vivendo. Passo após passo.
Há tempos já não sei qual é meu destino. Depois de tantas baldiações acabei por perder a lógica. Já nem sei se estou indo, vindo ou em que sentido estou. Mas estou. E é isso que importa.
Dia a dia, vejo o nascer e pôr do Sol. Nunca sei, entretanto, se pressencio um crepúsculo ou um amanhecer, até que esteja claro ou escuro o suficiente para dizer.
Durante muito tempo busquei um alguém. E nessa busca acabei me perdendo. Hoje procuro me encontrar, e sinto que estou perto disto. Eu não vou desistir. A vida é agora, não posso postergar.
E cada vez que abrir meus olhos após ter sonhado, vou agradecer por esta nova oportunidade. Por que cada novo dia é a minha certeza de que outra chance me foi dada.
E quando o apito finalmente soar e as portas do trem se abrirem, poderei finalmente sair, sem arrependimentos.

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