Com uma mochila nas costas, caminho de trem em trem, sozinho. Vejo pessoas, conheço pessoas, me despeço, mas continuo a trocar de vagão, como um andarilho.
Em cada estação deixo um pedaço meu. Uma roupa, um carinho especial. Algo. E assim vou vivendo. Passo após passo.
Há tempos já não sei qual é meu destino. Depois de tantas baldiações acabei por perder a lógica. Já nem sei se estou indo, vindo ou em que sentido estou. Mas estou. E é isso que importa.
Dia a dia, vejo o nascer e pôr do Sol. Nunca sei, entretanto, se pressencio um crepúsculo ou um amanhecer, até que esteja claro ou escuro o suficiente para dizer.
Durante muito tempo busquei um alguém. E nessa busca acabei me perdendo. Hoje procuro me encontrar, e sinto que estou perto disto. Eu não vou desistir. A vida é agora, não posso postergar.
E cada vez que abrir meus olhos após ter sonhado, vou agradecer por esta nova oportunidade. Por que cada novo dia é a minha certeza de que outra chance me foi dada.
E quando o apito finalmente soar e as portas do trem se abrirem, poderei finalmente sair, sem arrependimentos.
Monthly Archives: May 2011
Infinito
Infinito é o questionamento do Homem. É a incansável busca por respostas. É o querer entender da existência, da vida.
Será que vale realmente a pena saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Não seria banalizar demais esta coisa incrível que chamamos de viver? Que importa nossa origem? Que importa nosso destino? Por que não focar no agora?
Por que o Presente, no final das contas, é o único tempo que existe. O Amanhã é como o horizonte; está ali, é visível, mas é inalcançavel. Ele sempre vai estar kilometros e kilometros de distância. O Ontem será sempre aquela sombra que nos persegue quando estamos contra luz. Às vezes forte, às vezes fraca, às vezes oculta, outrora ao nosso lado, mas difïcilmente à nossa frente. Por que o Passado não pode tomar conta do seu Presente. Nunca tire isto da mente.
Você vai sempre estar à beira de um penhasco, a ponto de se jogar. E você tem sim asas, para voar. A vida, existência, ou seja lá o que você quiser chamar esta fase que dura usualmente 70 anos para os brasileiros, é um risco. Todos os dias tomamos decisōes que mudam nossa vida para sempre, embora não enxerguemos assim. Logo, não fuja do natural, se dê mais, seja mais, prove mais, raciocine menos.
Você não nasceu por acaso. Muito menos está aqui por brincadeira. O Sol nasce para todos. Se bronzeia apenas quem quer.
A sinfonia que cortava o fone
Passos ágeis, toques instantâneos. Ninguém se olhava. Ouvia-se o ticar dos relógios sincronizados ao sapatear de cada dono. De fundo, avisos anunciados ecoavam pelos largos corredores da estação Brás. O fone de ouvido ajudava a abafar todo e qualquer som, de xingos a pedidos de licença, contanto que não ocorresse choque físico. E assim o mundo girava. Ninguém percebia. Ninguém notava. Alguns se esbarravam, embora ninguém saisse do modo automático. Cada movimento era milimetricamente instintivo.
Mas o inevitável aconteceu. Vi um a um despertar. Logo ali na minha frente. A curiosidade estalou cada vertebra minha. Apertei o passo. Caminhei longos metros até que a sinfonia cortou o fone. As melodias se mesclavam. O coração acelerou. O fone empoeirado foi arrancado. A nova música envolveu todos que estavam ali. Ninguém mais se empurrava. Ninguém mais se xingava. E a banda tocava alegre. Uma música após a outra. Ninguém se mexia. Olhos brilhavam. Todos se enxergavam.
Logo ela se foi, e os fones foram postos novamente. A monotonia voltou a reinar. Mas ninguém se esqueceu do dia que a sinfonia ecoou pelo ar. Era a sinfonia. A sinfonia que cortava o fone.
Cores
Os olhos humanos enxergam cores não sem motivo. Nada é por acaso nesta existência. Tudo tem uma razão.
O horizonte não é só uma linha reta, acredite. Sentimentos são coloridos. O universo tem infinitas cores. Por que escolhemos enxergar preto e branco, então? O que se ganha com lágrimas que podem ser evitadas? Todos somos pássaros que tem asas para voar embora poucos se arrisquem a isto.
Quantos anos vão se passar para que você entenda que não existe hora para recomeçar? Que nunca há situação ideal, até que nós façamos dela ideal? Se o momento é agora, por que postergar?
No final das contas, o Fim é apenas um novo Início disfarçado…